Museu Nacional reabre com mostra de arte indígena

Além do módulo Artes Indígenas da Mostra do Redescobrimento, o carioca vai poder conhecer mais da arte dos índios a partir de hoje no Museu Nacional, na Quinta da Boa Vista, que reabre sua agenda de exposições com Xingu - Arte e História. Cerca de 100 objetos e um igual número de textos vão contar a história dos povos do Alto Xingu, região norte do Mato Grosso, desde o ano de 800 até os dias de hoje. Setenta fotos, feitas de 1920 até os dias atuais, ocuparão uma das três salas que o Museu reservou para a exposição, e a expressão gráfica da cultura indígena em armas e pinturas corporais vai preencher a terceira sala. O acervo é inédito. Entre os objetos de confecção indígena, máscaras de rituais e artefatos de cerâmica são os destaques. Cacos de arte cerâmica são os mais antigos achados das pesquisas arqueológicas. "Percebe-se a unidade da cerâmica", diz a antropóloga e curadora Bruna Franchetto. Segundo ela, os índios brasileiros mantiveram uma linearidade cultural através de mais de um milênio de existência. Grande parte das peças que estarão expostas são da coleção do Museu Nacional, que tem um dos mais prestigiados programas de pós-graduação em Antropologia Social do País, vinculado à Universidade Federal do Rio de Janeiro. Xingu - Arte e História remonta à criação do Parque Xingu, primeira reserva indígena do País, projetada no início dos anos 50 mas realizada somente em 1961, com um território reduzido em função de conflitos sobre a propriedade das terras demarcadas. Também influem na curadoria os relatos do primeiro viajante a escrever sobre os povos do Alto Xingu, o alemão Karl Van Der Steinen. Ele esteve no Brasil por duas vezes no século 19 e registrou, deslumbrado, a cultura indígena. "Foi a partir dos relatos de Steinen que antropólogos brasileiros puderam realizar a expedição Roncador Xingu", diz Bruna Franchetto. A expedição pretendia costurar fisicamente uma unidade nacional, ligando, por estradas e linhas telegráficas, os centros urbanos do litoral com a Amazônia.Na abertura da exposição, dois livros serão lançados: Os Povos do Alto Xingu - história e cultura, organizado por Bruna Franchetto e pelo arqueólogo americano Micheal Heckenbecker. O outro é Parque Indígena do Xingu, de autoria da pesquisadora Maria Lucia Menezes, que reconstitui a história da reserva, fazendo uma análise social e política dos últimos 50 anos dos índios do Alto Xingu. A exposição fica em cartaz até 28 de fevereiro do ano que vem. Xingu - arte e história - Museu Nacional. Quinta da Boa Vista s/nº, São Cristóvão. Tel: 568-8262. De terça a domingo, de 10h às 16:30h. Preço: R$ 3,00.

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