Museu expõe os melhores do design brasileiro

A 18.ª edição do Prêmio de Design do Museu da Casa Brasileira, cujos vencedores serão apresentados a partir de hoje para o público, confirma a importância de os museus nacionais não apenas abrigarem eventos externos, mas desenvolverem pesquisas próprias e incentivarem iniciativas.Essa é a opinião da diretora do MCB, Adélia Borges, que pretende não apenas manter essa premiação - que desde 1986, premia os melhores trabalhos no campo do design - como injetar-lhe um vigor extra, abrindo espaço para categorias como a de novas idéias e conceitos. Entre os principais pontos diagnosticados nesta edição do prêmio, ela celebra o crescimento considerável das inscrições (38% a mais do que no ano passado) e a presença cada vez mais forte de criadores de outras regiões de País que não São Paulo e Rio de Janeiro. "Pela primeira vez entre os 19 premiados e menções especiais, os paulistas não são maioria", destaca. Outro sinal de vitalidade é o crescimento em importância de categorias que tiveram menos peso em edições anteriores. Tradicionalmente, os segmentos destinados ao mobiliário (prêmio concedido à Linha Bandeirola, do carioca Ivan Rezende), utensílio (prendedor de roupas multiuso de Marcela Albuquerque e Taciana Silva) e iluminação (o primeiro lugar ficou com a Linha Luna, do paulista Fernando Prado) sempre foram o centro das atenções. Agora, segmentos como o de equipamentos eletroeletrônicos conquistam cada vez mais espaço. O vencedor na categoria foi o condicionador de ar Maximum Platinum 10000, desenhado por Patrick de Arins Speck para a Eletrolux. No entanto, se do ponto de vista econômico esse tipo de valorização pode render frutos, a exposição ainda tem como pontos altos os segmentos tradicionais. Mesmo assim, a importância dada inicialmente à forma, às criações arrojadas e de grande impacto também parece estar dando lugar a uma visão mais integrada do design. Questões como a economia de meios, a ênfase na busca de processos mais simples e que permitam produções de maior alcance sinalizam um maior amadurecimento do setor. Adélia destaca a crescente interação entre a indústria e a criação mais artesanal, de forma a permitir outros caminhos mais interessantes e férteis para o design. "A linguagem funcionalista que marcou a gênese do design erudito no Brasil deixou-o estanque, isolado. O namoro entre a raiz artesanal e a pretensão industrial tem feito bem ao País", conclui. Prêmio Design - Museu da Casa Brasileira. Av. Faria Lima, 2.705, Jd. Paulistano, tel.: 3032-3727. De hoje a domingo, das 10h às 18h. R$ 4 (dom. Grátis). Até 16/1/2005

Agencia Estado,

30 de novembro de 2004 | 13h11

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.