Museu expõe meteorito do planeta Marte

Quem visitar o Museu Nacional da Universidade Federal do Rio de Janeiro a partir de amanhã poderá tocar o solo de Marte. Ou pelo menos um pedaço dele. Um meteorito marciano de oito centímetros de comprimento por cinco de largura será exposto na mostra Novidades Científicas, da qual faz parte uma réplica do Santanaraptor placidus, dinossauro carnívoro que viveu no Nordeste brasileiro. Durante a exibição, as pessoas poderão tocar o fragmento do planeta vermelho.Mas, os visitantes que forem ao museu em busca de um meteorito de aparência atraente podem ficar frustrados. O fragmento do solo marciano não passa de uma pedrinha triangular acizentada de 17 gramas. A importância do meteorito está na sua raridade: há apenas 16 fragmentos de Marte conhecidos na Terra. Ele vale U$ 20 mil no mercado internacional. O fragmento se desprendeu do solo marciano depois que um enorme asteróide se chocou contra a superfície do planeta. Ele passou milhões de anos perdido no universo, antes de entrar na órbita terrestre e cair na Nigéria, próximo das montanhas de Zagami (de onde recebeu o nome), em 3 de outubro de 1962. É o primeiro meteorito marciano do Museu Nacional. O Zagami foi adquirido numa troca por um fragmento do meteorito Angra dos Reis, considerado o elemento mais antigo que se tem conhecimento no universo. "Já tivemos um meteorito marciano encontrado em Governador Valadares, em 1958, mas nenhum grama dele ficou no País", conta a astrônoma Maria Elizabeth Zucolatto. "Ele está nas mãos de um comerciante americano". Novidades - A mostra Novidades Científicas faz parte de um projeto de modernização da exposição permanente do Museu Nacional, que há 40 anos é a mesma. A prefeitura do Rio contratou o escritório do arquiteto francês Jean-Michael Wilmotte - o mesmo que projetou a ala nova do Museu do Louvre - para fazer o design das novas exposições. O Museu Nacional, fundado em 1818, por Dom João VI, sofre com as freqüentes infiltrações. O prédio e as esquadrias precisam de reparos. O descaso é visível. Seriam necessários R$ 19 milhões para que o museu fosse totalmente recuperado. "Apesar de estarmos inscritos em incentivos fiscais federais e estaduais, até agora só conseguimos captar R$ 8 milhões de empresas públicas, como Petrobrás, Ministério da Cultura, CNPq, e prefeitura do Rio", afirmou o diretor Luiz Fernando Dias Duarte. A esperança dele é que exposições como Novidades Científicas chamem a atenção das empresas privadas.

Agencia Estado,

05 de setembro de 2000 | 18h25

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