Museu expõe 20 projetos de Paulo Mendes da Rocha

Na Enseada do Suá, o confronto monumental entre a natureza e a arquitetura, numa área de 32 mil m². Um complexo cultural suspenso do solo a partir do qual os frequentadores terão vista livre da paisagem de Vitória. Cenário que o autor do projeto, o arquiteto Paulo Mendes da Rocha, nascido na cidade, filho de um engenheiro de portos, conhece desde sempre.

AE, Agência Estado

24 Outubro 2012 | 10h30

Criado com a ambição de se tornar referencial no País, o Cais das Artes está 43% pronto e tem previsão de abertura pelo Estado para 2014. É uma de suas principais obras em andamento. Terá museu com espaço expositivo de 3 mil m², teatro multiuso para 1.300 pessoas e uma praça.

Perto dali, no Museu Vale, na vizinha Vila Velha, outros 20 projetos de uma vida inteira estarão expostos a partir de sexta-feira para o público. A mostra "Paulo Mendes da Rocha: A Natureza Como Projeto", com curadoria do crítico de arquitetura Guilherme Wisnik, tem entre os destaques projetos em que fica evidente a ação da técnica sobre a geografia, mais especificamente, as águas, e o redesenho da paisagem natural.

Nem todos foram construídos, apesar de terem a assinatura de um dos arquitetos brasileiros fundamentais, nome de destaque internacional há décadas e dono de um Prêmio Pritzker - o Nobel da área foi concedido no Brasil apenas a Oscar Niemeyer, seu amigo.

Mesmo estes estarão na exposição, em maquetes, por conter ideias poderosas, ainda que possam parecer utópicas aos mais céticos. Como a Cidade do Tietê, de 1981, proposta de construção de uma cidade-porto que integre as redes de transporte rodoviárias e ferroviárias e componha um sistema capaz de sustentar o desenvolvimento econômico da cidade, chegando tanto à região amazônica quanto ao Sul.

E o projeto de reconfiguração da Baía de Montevidéu, de 1998, que, realizado durante um seminário internacional de trabalho na Escola de Arquitetura da capital uruguaia para o qual Mendes da Rocha foi convidado, busca resolver o problema de uma baía rasa sem uma interlocução proveitosa com a cidade.

Ele pensou numa baía que fosse incorporada pela população, servisse ao transporte de massa, aliviando o tráfego, com porto ampliado e uma praça movimentada - quase uma Veneza ao sul das Américas. O mais importante: a capacidade de ligação fluvial com o Brasil, chegando até o Norte. Uma questão cara ao arquiteto, como mostra o vídeo que abre a exposição.

Os visitantes verão ainda as obras mais conhecidas, como as oriundas dos concursos vencidos nos anos 1950, 60 e 80: o Ginásio do Clube Atlético Paulistano, o Pavilhão do Brasil na exposição universal em Osaka, o Museu da Escultura. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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