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Museu D'Orsay explora a fronteira entre loucura e genialidade de Van Gogh

Exposição reúne 40 quadros do pintor impressionista holandês

Maria Llort , EFE

14 de março de 2014 | 18h07

O Museu D´Orsay explora a fronteira entre a loucura e a genialidade de Van Gogh numa exposição que reúne 40 quadros do pintor impressionista holandês e tem como fio condutor a análise da sua obra realizada pelo pintor e escritor francês Antonin Artaud.

Artaud (1896-1948), artista heterogêneo que passou nove anos em um hospital psiquiátrico, acusou a sociedade de ser responsável pelo “trágico destino” de criadores inovadores como Vincent Van Gogh (1853-1890), explicou a curadora da exposição Isabelle Cahn.

No texto “O suicida da sociedade”, escrito em 1947 para uma retrospectiva sobre Van Gogh organizada pelo Museu Orangerie de Paris, Artaud afirma que a falta de apoio social levou pintor holandês “ao desespero e à miséria”, até chegar ao suicídio.

Nesta nova exposição, Van Gogh/Artaud . O suicida da Sociedade, citações do escritor acompanham a seleção de pinturas, escolhidas porque eram bem conhecidas dele e entre as quais se destacam obras emblemáticas como Noite Estrelada, Quarto em Arles, Autorretrato diante do Cavalete.

A exposição propõe um debate sobre as linhas nebulosas que separam a arte da loucura, que “são traçadas pela sociedade e que variam ao longo do tempo”, acrescentou a curadora da exposição, que fica em cartaz até o dia 6 de julho.

“Um Van Gogh louco?”, Artaud se perguntava. Para ele, bastava contemplar algum dos autorretratos do artista para entender que “nenhum psiquiatra saberia analisar em profundidade o rosto de um homem com tanta força”.

O escritor francês admirava a “fina capacidade de observação” do impressionista, afirmando que ele possuía uma grande sensibilidade e uma “lucidez extraordinária”, que lhe permitiram “ver mais longe, infinita e perigosamente mais longe, do que a realidade imediata e aparente dos fatos”. Para Isabelle Cahn, Artaud tinha razão pois a pintura de Van Gogh parte de cenas simples e não de mitos literários, por exemplo, para falar “de verdades e realidades cósmicas, sobretudo nas grandes paisagens”. 

“Van Gogh é apenas um pintor e nada mais”, escreveu Artaud. “Nada de filosofia, de mística, rituais, ocultismo, liturgia, História, literatura ou poesia. Mas para entender uma tempestade na natureza (...) o único a quem podemos recorrer é ele”.  O próprio pintor holandês, segundo a curadora, “encarava as crises (psiquiátricas) que sofria como uma enfermidade que o impedia de trabalhar e que tirava suas forças, mas não se reconhecia como parte da comunidade de loucos”.

Esta exposição “nos convida a compreender o essencial da pintura de Van Gogh e nos desembaraçarmos da lenda em torno dele”, disse a curadora, que rejeita a imagem estereotipada do artista holandês. Alguns episódios violentos que marcaram sua vida, como a briga com o pintor Paul Gauguin em que ele acabou cortando uma orelha, contribuíram para forjar um mito que justificava “algumas pinturas consideradas exorbitantes em relação à arte da sua época”, disse a curadora.

Além dos quadros de Van Gogh, a exposição inclui ilustrações feitas pelo próprio Artaud, que começou a desenhar como terapia durante os anos em que esteve internado num hospital psiquiátrico. Os quadros mesclam desenhos e textos num estilo muito fragmentado, parecido com algumas das obras de Van Gogh, segundo a curadora, que salientou que o Museu D´ Orsay patrocina exposições que mostrem as relações entre diversos artistas para que sejam “mais dinâmicas”. TRADUÇÃO DE TEREZINHA MARTINO 

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