Museu do Imaginário só fica pronto no fim do ano

O antigo prédio do Departamento de Ordem Política e Social (Dops), no centro de São Paulo, vai ser aberto ao público na sexta-feira, agora com propósito cultural. Nele vão funcionar o Museu do Imaginário do Povo Brasileiro e o Memorial da Liberdade. Com cinco andares e 8.500 metros quadrados de área total, o prédio no Largo General Osório passou por uma reforma que começou no início de 2000, custou R$ 12,5 milhões e ainda não terminou: a dois dias da inauguração, dezenas de operários trabalham às pressas para abrir as portas ao público daqui a dois dias.O Secretário Estadual da Cultura, Marcos Mendonça, diz que o governo apenas inaugura na sexta o Memorial da Liberdade e entrega o prédio reformado. Quanto ao Museu do Imaginário do Povo Brasileiro, deve ficar para o fim do ano sua inauguração, ainda que o espaço para ele existir esteja pronto esta semana. Ainda não foi montada a exposição permanente de arte brasileira que será sua principal atração. Enquanto isso, o público poderá conferir no ex-Dops uma exposição sobre a história das investigações policiais do departamento, Cotidiano Vigiado, e uma instalação de Siron Franco, Intolerância.Já o Memorial da Liberdade, segundo o secretário, abre a visitação na sexta em pleno funcionamento. "Serão quatro celas onde haverá exposições e um espaço com computadores para consulta a documentos", diz. Marcos Mendonça disse, a jornalistas convidados para conhecer as reformas do prédio, que os computadores do Memorial da Liberdade terão ligação direta com o Arquivo Público do Estado, e mostrarão trechos dos prontuários e fichas feitos pelo Dops entre 1935 e 1983, ano em que o departamento deixou de funcionar no prédio.Mendonça admitiu que grande parte dos documentos que poderiam ajudar a contar a história da polícia política no Brasil se perdeu. "Em 1983, a Polícia Federal ficou com os documentos do Dops e só na década de 90 o Estado os teve de volta. Seguramente, grande parte sumiu". Para preencher o vazio deixado por estes documentos, Mendonça quer colher depoimentos de pessoas que estiveram presas ou foram fichadas pelo Dops e torná-los disponíveis nos computadores do Memorial. O prejuízo com a falta de vários documentos é inegável. Não se tem confirmação oficial até hoje, segundo Mendonça, de que tenham havido mortes no Dops de São Paulo.Programação - Além da mostra Cotidiano Vigiado e da instalação Intolerância, de Siron Franco, o Museu do Imaginário do Povo Brasileiro tem três exposições programadas para este ano. Emanoel Araújo prometeu trazer ao espaço as mostras África, África, idealizada pelo professor de história da arte africana em Nova York George Nelson Preston, Para Nunca Esquecer, Negras Memórias, Memórias de Negros que já foi vista no Museu Histórico Nacional do Rio, e Salve, Lindo Pendão da Esperança, cujo título é baseado no verso de Olavo Bilac no Hino à Bandeira.O artista plástico Siron Franco, por sua vez, vai ocupar dois salões do prédio com a instalação Intolerância, que apresenta 880 bonecos de pessoas vestidos com roupas e sapatos velhos. A maior parte dos bonecos fica deitada de bruços sobre o chão, formando longas filas. No fundo do salão, uma pilha de bonecos iguais completa o quadro de violência contra o ser humano. "A intolerância é o que provoca todas as guerras. Esses bonecos representam mortos vestindo roupas compradas em brechó, que trazem memórias em cada uma delas". Siron participa da inauguração do ex-Dops por acaso. "Emanoel foi a meu ateliê pedir três quadros para uma exposição no exterior, mas achou que a idéia tinha tudo a ver com este espaço, um lugar que tem muito de intolerância."Museu do Imaginário do Povo Brasileiro e Memorial da Liberdade - Largo General Osório, 66, centro. Abertura ao público na sexta-feira.

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