Museu defende jogo que reencena roubo de "O Grito"

Museu Munch, na Noruega, que teve uma das suas obras mais famosas, O Grito de Edvard Munch, roubada em 2004, defendeu o lançamento de um novo jogo de tabuleiro em que os jogadores recriam o roubo. Dois dos suspeitos do roubo ameaçaram um funcionário com uma arma, antes de levar o quadro como parte de um roubo de 10 milhões de libras (cerca de R$ 40 milhões) do Museu em Oslo, em agosto de 2004.O jogo "O Mistério do Grito" foi colocado à venda na loja dentro do museu na semana passada."É um jogo completamente inocente. Algumas pessoas pensam que é horrível tratar o assunto como um jogo, mas vemos a questão de uma forma diferente", disse a porta-voz do museu, Jorunn Christoffersen.O jogo é voltado para crianças acima de seis anos e os participantes podem escolher os papéis, de detetives ou ladrões de quadros.´educacional´. O fabricante do jogo, Aschehoug, disse que "O Mistério do Grito" é educacional."Além do quadro O Grito, o jogo tem 36 cartas mostrando trabalhos de arte diferentes, que as crianças conhecem", disse Magnus Skrede, chefe da divisão de jogos da Aschehoug."É uma forma divertida para as crianças aprenderem a respeito da diversidade da criação artística", acrescentou."A princípio acho um certo mau gosto fazer um jogo a partir do roubo do ´Grito´. Minha reação inicial é desaprovar a iniciativa que ajuda a banalizar um drama nacional e internacional enquanto o quadro ainda está desaparecido", disse Kaare Berntsen, diretora da Galeria Kaare Berntsen, em Oslo.O Grito foi roubado junto com o quadro Madona, também de Edvard Munch, de 1933. A polícia na Noruega acusou seis homens pelo envolvimento no roubo das obras, mas nenhum foi levado a julgamento.

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