Museu de Paris expõe lingeries sexies de muçulmanas

Parece uma visita a um sexy shop, mas na realidade são as calcinhas provocantes que as mulheres muçulmanas usam por baixo do véu na exposição Sexy-Souks, em cartaz no museu Point Ephemère de Paris. Os modelos de lingerie são definidos pelos idealizadores da mostra, Arwad Esber e Cecile Pelissier, como uma "fantasia delirante". "A idéia me ocorreu percorrendo as ruas próximas à grande mesquita de Omeyyades, de Damasco, onde quiosques e pequenas butiques vendiam lingeries femininas dignas de um sexy shop parisiense", disse Esber, de origem sírio-libanesa. Os criadores destes modelos em Damasco são industriais libaneses que renovam suas coleções a cada três meses, baseando-se nas tendências mundiais e em datas comerciais como o Dia dos Namorados e o Natal. Os curadores da exposição salientaram que são principalmente as mulheres muçulmanas que usam o véu, em especial as jovens criadas em famílias conservadoras da classe média de Damasco, que compram este tipo de lingerie. Seriam também suas mães, segundo depoimentos recolhidos por Pelissier, que compram as calcinhas e os sutiãs como parte do enxoval de casamento, "estimulando assim estas jovens virgens a se renderem às regras erótico-sociais ditadas pelo futuro marido". ´Acabar com preconceitos´ "Quisemos nos perguntar qual poderia ser a concepção que uma mulher com a burca, acostumada a se esconder, tem do seu corpo e do erotismo", explicou Esber. Para ele, "é possível ser muçulmana e sexy". "O objetivo não é chocar, mas acabar com os preconceitos", acrescentou. "Estes objetos são elementos do jogo amoroso", disse Zoulikha Bouabdallah, uma das artistas que produziram os modelos expostos, todas criadoras de origem árabe ou do norte da África. Segundo ela, "o Islã não proíbe o prazer, ao contrário, no Alcorão o homem deve dar prazer para sua mulher, mas isto deve permanecer dentro do casamento". E mais: "A sexualidade não é um tabu como para a religião católica. No privado, tudo é permitido", concluiu a estilista. "Ninho de pássaro" ou "gata" são alguns dos nomes das lingeries da exposição que relembram as denominações do sexo feminino ou dos órgãos sexuais. Aquelas que relembram a infância são enfeitadas com telefones celulares, luzes, corações, pelúcias e outros penduricalhos. Na exposição, que fica em cartaz até o final de abril, estão também alguns tecidos pintados que ilustram mulheres usando burca, das quais se enxergam as partes íntimas vestidas com lingeries eróticas. O pano de fundo? Uma mesquita.

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