Museu de NY faz exposição de rendas e tricôs subversivos

À primeira vista, é uma exposição que agradaria a qualquer avó, com manta e casaquinhos de bebê tricotados, mas um olhar mais cuidadoso poderia fazer a vovó sentir arrepios. Os casaquinhos e luvinhas de bebê são tricotados com fios médicos empregados para inserir agulhas intravenosas, e amuletos feitos de camisinhas estão entre uma lista de itens sendo tricotados para os soldados americanos fora do país. David McFadden, curador chefe do Museu de Artes e Design de Nova York, disse que enxergou o potencial de uma exposição que abalasse a visão convencional do tricô, crochê e renda depois de ser jurado numa exposição de rendas na Bélgica, alguns anos atrás. Ao mesmo tempo, ele observou "um aumento no número de pessoas que fazem tricô não apenas como vestuário, mas como expressão artística". McFadden criou a nova exposição do museu, Rendas Radicais e Tricôs Subversivos, com peças que empregam fibras como o aço e outros materiais de maneiras inesperadas, algumas delas incluindo declarações políticas nos trabalhos. Destaques A artista nova-iorquina Cat Mazza, por exemplo, fez uma petição em crochê de lã para oferecer às pessoas uma maneira alternativa de expressar sua oposição ao uso de mão-de-obra barata na produção de calçados. Erna van Sambeek criou roupas tricotadas com páginas do jornal Financial Times, entremeando o tema da pobreza em suas peças. Money Dress (Vestido de Dinheiro), do artista Dave Coal, é um vestido tricotado com cédulas de dólar, para servir como uma declaração sobre a riqueza. Subversão McFadden disse que a exposição vem atraindo um público mais jovem ao museu, pessoas que parecem interessar-se pelo tricô e crochê como maneira de "restaurar o equilíbrio" numa era do high-tech, em que um número cada vez maior de pessoas começa a fazer tricô como atividade criativa. "Boa parte da energia no mundo das pessoas que fazem tricô está vindo da faixa etária de menos de 30 anos", disse ele. "Muitos dos artistas tratam de temas realmente interessantes", afirmou o curador, que examinou centenas de peças para escolher as 40 obras expostas, criadas por 30 artistas. De acordo com McFadden, a exposição "subverte nossas idéias em relação ao tricô e crochê, duas técnicas vistas como coisas antiquadas, e muitas das idéias que foram expostas são extremamente radicais."

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