Museu de Belas Artes exibe acervo

As obras do século 18 e 19 do acervo do Museu Nacional de Belas Artes (MNBA) voltam nesta quinta-feira a ser exibidas restauradas e rearrumadas de acordo com padrões internacionais. São quadros e esculturas que fazem parte da memória brasileira, como A Primeira Missa do Brasil e Batalha dos Guararapes, de Vítor Meirelles, as primeiras paisagens brasileiras pintadas pelo holandês Franz Post, quadros de Jean-Baptiste Debret retratando a vida da corte portuguesa no início do século passado e esculturas de Aleijadinho, que estiveram guardadas durante os últimos dois anos, quando as Galerias do Século 18 e 19 foram ocupadas por grandes mostras temporárias. São 2 mil metros quadrados de área e cerca de 150 obras, agrupadas em ordem cronológica, começando por Post, no fim do século 17, e terminando com os irmãos Rodolfo e Henrique Bernardelli, já no início do século 20. "Até 1996, o espaço esteve aberto sem climatização e as obras sofriam a ação do tempo. A partir daí, abrigamos aqui Rodin, Monet, Dalí, tesouros de Espanha e o nosso Guignard e o Barroco e todas as benfeitorias feitas para recebê-los foram incorporadas ao museu", conta a diretora do MNBA, Heloísa Lustosa. "Além do nosso acervo, vamos exibir peças barrocas cedidas por Renato de Almeida Whitaker." Entre elas está uma raríssima Nossa Senhora da Conceição em madeira e renda, atribuída a Aleijadinho e Mestre Atayde. Os dois artistas barrocos mineiros, apesar de contemporâneos, pouco trabalharam juntos. Dessa coleção vêm também dois Cristos Crucificados, um de olhos abertos e outro já morto. Do acervo do museu, há uma Nossa Senhora do Rosário, de Aleijadinho, e uma Nossa Senhora do Leite, de autor anônimo. "Pintamos as paredes de vermelho, amarelo e ocre, cores originais do museu que destacam as obras", conta Heloísa, que coordenou a reforma, sob supervisão do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). Esta semana, a diretora comemorava o fim das obras e a reinauguração. "Conseguimos realizá-la só com nossa verba, sem recorrer a leis de incentivo cultural ou à verba extra do governo federal." A disposição atual é didática. Coloca junto a cena da coroação de dom João VI de Debret e de José Dias de Oliveira, artista colonial. Há as primeiras paisagens brasileiras feitas por artistas locais e as primeiras naturezas-mortas tropicais. "Durante muito tempo, por influência da Missa Francesa, os artistas só pintavam motivos europeus", ensina Heloísa. Nesse sentido, Batalha dos Guararapes, tela com 50 metros quadrados, coloca juntos, pela primeira vez, as três raças que formaram o Brasil: o negro, o índio e branco. A Floresta da Tijuca, de Felix Taunay, filho de Nicolau Taunay, feita no início do século 19, mostra a mata virgem e sua devastação, num dos primeiros protestos ecológicos de que se tem notícia". Mesmo com a reinauguração, o MNBA enfrenta problemas, a começar pelo número de funcionários: 70, para cuidar de um acervo de milhares de peças, 10 mil metros quadrados de galerias reserva técnica e oficina de restauro. As outras galerias ainda precisam de reforma e a visitação está aquém da capacidade do museu.

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