Museu de Barcelona exibe 'ídolos' de Pablo Picasso

Coleção pessoal de pintor e escultor tem Dalí, Gauguin, Renoir, Matisse, entre outros

Anelise Infante, BBC

21 de dezembro de 2007 | 06h00

Um museu de Barcelona iniciou na quinta-feira, 21, uma exposição com o acervo pessoal de obras de arte do pintor espanhol Pablo Picasso. Além de ter sido um dos artistas mais influentes do século 20, Pablo Picasso também colecionava obras de arte. Reuniu cerca de 150 peças de artistas como Dalí, Renoir, Matisse e outros artistas que o inspiraram ou eram admirados por ele.   Veja também: Galeria de imagens  A exposição Picasso e sua coleção, aberta nesta quinta-feira no Museu Picasso de Barcelona, traz 43 pinturas, 39 desenhos, 41 fotografias, várias esculturas de arte primitiva, litogravuras e colagens. Todas decoravam a última casa do pintor em Paris. "Mas nenhuma estava pendurada em paredes", explicou o comissário da exposição, Philippe Saunier. "Ele as colocava em suas diversas salas de trabalho como fonte de inspiração e para enriquecer seu imaginário". Trocas Picasso colecionou obras de Salvador Dalí, Paul Gauguin, Pierre-Auguste Renoir, Henri Matisse, Jean Cocteau, Gustave Coubert, Georges Braque e Joan Miró, entre outros, desde a juventude. Às vezes, trocava peças com outros artistas. Ele decidiu que só colecionaria obras de quem considerava um amigo. "Por isso também esta coleção é tão fascinante. É Picasso em estado puro. Define sua forma de pensar e sua coerência", disse Saunier. Segundo o curador da exposição, Picasso detestava a geração impressionista pela forma como lidava e retrava as emoções. Mas considerava Cézanne e Renoir dissidentes. Esta atitude fez com que Cézanne e Renoir fossem os únicos amigos e ídolos do pintor espanhol entre os impressionistas. Matisse e Dalí A mostra revela ainda a conturbada relação do artista com Matisse. "Uma admiração e rivalidade viscerais", comentou Saunier. Um relacionamento que se intensificou a partir da Segunda Guerra Mundial. Com o surrealista Salvador Dalí também houve encontros e desencontros marcados por idolatria mútua, rivalidade e divergências políticas. Picasso simpatizava com o comunismo e Dalí era, politicamente, conservador. Foi inclusive por sua postura política que a coleção privada de Picasso esteve impedida de ser exibida na Espanha. O artista exigiu em testamento em 1973 que suas obras só viajassem ao país depois da morte do ditador Franco. O acervo tinha sido doado à França para que servisse de inspiração para jovens artistas. Só foi exposta antes na França há trinta anos e na Alemanha há dez anos. A coleção de Picasso inclui ainda fotos de Henri Cartier-Bresson e Robert Capa e estará aberta ao público até 30 de março.     Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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