Museu de Arte Moderna de SP traz diálogo entre Brasil e Japão

Mostra 'Quando Vidas se Tornam Forma' reúne trabalhos de 21 artistas brasileiros e de 18 japoneses

Camila Molina, de O Estado de S. Paulo,

09 de abril de 2008 | 15h47

Curadora do Museu de Arte Contemporânea de Tóquio, Yuko Hasegawa teve a tarefa de fazer, a convite do Museu de Arte Moderna de São Paulo, uma mostra para as comemorações do centenário da imigração japonesa no Brasil. O resultado foi a exposição Quando Vidas se Tornam Forma: Diálogo com o Futuro - Brasil-Japão, que será inaugurada na quinta-feira, 10, no MAM e que reúne trabalhos de 21 artistas brasileiros e de 18 japoneses (alguns deles fizeram residência em São Paulo e criaram obras especiais). "Como diz o título, a mostra tem a ver com o que acontece no cotidiano, com as coisas corriqueiras que se transformam em arte", diz a curadora. Nesse sentido, o viés escolhido por ela foi ampliar o leque de gêneros dos trabalhos criando também núcleos com peças de design, moda, arte e música, o pop e arquitetura para além da pintura, escultura, desenho, foto e vídeo - sacos de lixos pretos, "desagradáveis", se transformam em vestido criado pelo estilista Jum Nakao ou mesas e cadeiras criadas pelos irmãos Campana se tornam "esculturas para serem usadas", assim como as poltronas de papel de Yoshioka.  Veja também:Galeria com fotos da exposição no MAM   Na entrada da mostra, a curadora elege dois vanguardistas das experiências que unem arte e vida: o carioca Hélio Oiticica (1937-1980) por meio dos seus parangolés, da década de 1960, e obras dos anos 50 e 60 de Atsuko Tanaka (1932-2005). A transposição deles para a contemporaneidade é apresentada com o trabalho de Kiichiro Adachi, uma cabine telefônica de vidro e espelhada por dentro, que tem em seu interior um globo de discoteca e fone de ouvido. Ao longo da mostra, percebe-se que as passagens e uniões entre as criações dos dois países são bem sutis. A curadora privilegia obras que falam de transformações do interno para o externo. Sob os temas do espaço e da micropolítica, as obras exprimem que as atitudes não são radicalmente explícitas para dizerem suas mensagens. Delicados bordados de Leonilson estão ao lado de obras de Aoko e Ito. Há ainda as serigrafias Zero Dolar, Zero Cruzeiro e Zero Centavo, de Cildo Meireles, que tratam do político com engajamento inteligente. E Lucia Koch dá outra dimensão ao espaço interno ao fotografar e colocar em imagens ampliadas o interior de caixas de papelão. Já sobre a nova ordem geométrica, há a mistura de obras mais antigas (entre elas, de Mira Schendel e de Tomie Ohtake) com recentes, como a explosão de cores de Beatriz Milhazes e Kohjin. A arquitetura também é colocada de forma delicada, apresentando construções de vidro para ficarem no meio da natureza e não na cidade: uma grande maquete da Flower House da dupla SANAA dialoga com fotos e desenhos da Casa de Vidro da ítalo-brasileira Lina Bo Bardi.  Quando Vidas se Tornam Forma: Diálogo com o Futuro - Brasil-Japão. MAM. Avenida Pedro Álvares Cabral, s/n.º, portão 3 Parque do Ibirapuera, telefone 5085-1300. 3.ª a dom., 10 horas - 18 horas. R$ 5,50 (dom. grátis). Até 22/6. Abertura quinta-feira, 10, às 20 horas

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