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Museu Cais do Sertão celebra o legado de Luiz Gonzaga

Construído em Recife, projeto quer fazer justiça à dimensão universal do artista

JULIO MARIA/ ENVIADO ESPECIAL/ RECIFE, O Estado de S.Paulo

13 Outubro 2013 | 02h11

É como se, quase 101 anos depois do nascimento de Luiz Gonzaga, Pernambuco, enfim, o reconhecesse oficialmente como filho ilustre. Demorou, mas os fãs do Rei do Baião deverão se orgulhar assim que a monumental obra Museu Cais do Sertão - Luiz Gonzaga for de fato inaugurada ao lado do Marco Zero do Recife. A obra de R$ 100 milhões conta com dois módulos. O primeiro está previsto para abrir ao público no dia 13 de dezembro, quando Gonzaga faria 101 anos.

A responsável pelo projeto é Isa Ferraz, que levou para o Recife, sua terra natal, muitos dos princípios do Museu da Língua Portuguesa, em São Paulo, também de sua autoria. "Uma experiência inédita aqui foi pensar o conteúdo do projeto junto com a arquitetura. Íamos fazendo tudo juntos", diz. O Estado fez a primeira visita às áreas que irão abrigar o Museu de Gonzaga na última quinta-feira.

São poucos os homens que, apenas com sua presença, conseguem traduzir uma cultura inteira. Por isso tão poucos museus sobre uma única personalidade. "Talvez conseguíssemos fazer isso também com Dorival Caymmi...", reflete Isa. Luiz Gonzaga tinha até então seus pertences reunidos no Parque Asa Branca, em Exu, e alguns outros em Caruaru. A ideia do Cais do Sertão é mostrá-lo justamente como a síntese de uma cultura nordestina que Gonzaga conseguiu tirar do subúrbio do País a partir dos anos 60. A estética que o Rei do Baião inaugurou ganhou o cinema, a moda, a dança.

Isa se cercou de um time de notáveis para traduzir o músico nos 7,5 mil m² que recebeu para criar. Zé Miguel Wisnik e Tom Zé foram dois dos curadores. Antônio Risério foi consultor especial e escreveu o texto de fundação do projeto. Cineastas como Lírio Ferreira, Carlos Nader, Marcelo Gomes, Paulo Caldas e Sérgio Rozemblit cuidaram do audiovisual. Artistas plásticos como Derlon Almeida, J. Borges e Luis Hermano colaboraram com ideias e montagens.

Além da interação, marca nas montagens de Isa, o projeto quer também ser referência em acervo sonoro. O andar superior do módulo 1 deve reunir a extensa discografia gonzaguiana em plataformas digitais. A força de Gonzaga para atrair turismo é levada em consideração pelo governo. Não por acaso, o museu foi erguido em um dos espaços turisticamente mais nobres do Recife.

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