Museu Afro-Brasil pode fechar as portas

O Museu Afro-Brasil, idealizado e constituído com o acervo do escultor baiano Emanoel Araújo, é a única instituição brasileira dedicada à cultura dos africanos escravizados no País e seus descendentes, pode ter um fim no domingo.O museu tem uma biblioteca (bancada pela Nestlé) com o nome da catadora de papel Carolina de Jesus, morta em 1977, que escreveu há meio século seu pioneiro diário da periferia paulistana, Quarto de Desejo.Expira no Domingo o patrocínio concedido pela Petrobrás ao novo museu. Depois do dia 31, é incerto o destino da mais importante instituição cultural de São Paulo no ano que passou, segundo a Associação Paulista dos Críticos de Artes. Em dez meses de existência, o Museu Afro-Brasil recebeu a visita de quase 100 mil pessoas, entre elas 25 mil escolares, universitários e pessoas ligadas a ONGs, interessados em conhecer seu acervo - tão raro que reúne, entre outras preciosidades, documentos sobre a história do comércio de escravos no Brasil e obras artísticas dos contemporâneos Rubem Valentim e Mestre Didi. O secretário de Cultura do município, Carlos Augusto Calil, afirmou em nota oficial que o museu foi criado por decreto pela ex-prefeita Marta Suplicy "sem que fossem garantidos à instituição recursos orçamentários ou quadro de funcionários necessários à sua continuidade". De fato, o quadro é bastante precário, também graças à inoperância da prefeitura. Faltam funcionários para limpeza e manutenção do prédio, material de consumo e guardas para a segurança do acervo, cedido em comodato ao município. Diante desse quadro, a Secretaria Municipal de Cultura, segundo Calil, examina alternativas de modelo de organização para o Museu Afro-Brasil. A primeira é sua criação em nível municipal, mediante envio de uma lei à Câmara de Vereadores para que a instituição receba dotação orçamentária e quadro de pessoal. Existem duas outras propostas: sua criação em forma de uma oscip (organização da sociedade civil de interesse público) ou de uma fundação de direito privado. Calil considera este último um modelo "bastante adequado". Araújo não descarta nenhum deles, mas lembra que não existe lei na Prefeitura disciplinando a criação de "oscips", o que dificulta uma solução rápida para o problema. A Petrobrás, por outro lado, precisa de uma definição para continuar financiando o museu que ajudou a criar. Está criado o impasse.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.