Mônica Bento/AE
Mônica Bento/AE

Muse é ''o melhor power trio hoje''

O Muse não chegou lá e o U2 passou do ponto. Mas o Muse de amanhã pode ser o U2 de ontem (quando era mais música e menos efeito). O antológico show que o trio britânico fez em São Paulo em 2008 já evidenciava em vigorosa miniatura do que eles são capazes para comover multidões. Como banda de abertura do quarteto irlandês, ficaram no meio-termo, nem tanto pelo potencial e conteúdo musical, mas mais pelas condições em que se apresentaram - principalmente por tocar para um público desconhecedor de seu repertório e desinteressado de qualquer detalhe musical.

Lauro Lisboa Garcia, O Estado de S.Paulo

11 Abril 2011 | 00h00

Em cerca de 45 minutos Matthew Bellamy (vocal, guitarra e piano), Christopher Wolstenholme (baixo, vocal de apoio e gaita) e Dominic Howard (bateria e percussão) pegaram pesado, em certos momentos pendendo para o heavy metal. Em United States of Eurasia é onde mais aparecem as sofisticações melódicas e a referência ao Queen, com seu approach sinfônico/operístico de natureza kitsch.

Entre um gole e outro de cerveja, os fãs do U2 tiveram como música de fundo da conversa alguns dos melhores rocks da banda, como Supermassive Black Hole, Time Is Running Out e Plug in Baby. Passaram despercebidas sutilezas como a citação de Man With a Harmonica, de Ennio Morricone (do clássico western Era Uma Vez no Oeste), na introdução de Knights of Cydonia, que encerrou o curto roteiro de 8 canções com a garra que o U2 atualmente só tem no cenário - tão impressionante quanto a quantidade de canções chatas no roteiro. Quanto pior a música, mais megas os efeitos visuais.

Alheio a isso tudo, de qualquer maneira o Muse teve boa receptividade de grande parte dos 90 mil que lotaram o Estádio do Morumbi. Mais adiante, Bono os elogiou como "o mais talentoso power trio" da atualidade, comparando-os a Cream e Jimi Hendrix. Mais um de seus exageros, evidentemente. A generosidade de "santo" Bono, porém, não chega ao ponto de permitir que o Muse usufruísse da mesma qualidade e potência de som. Mal se ouvia a voz de Bellamy em alguns momentos, não porque ela está um caco como a de Bono, mas pela má equalização. Em 2006, também abrindo para o U2, o Franz Ferdinand se deu melhor.

Entre a "torcida uniformizada" do quarteto irlandês, havia, porém, quem foi ao Morumbi só por causa do Muse. É o caso dos amigos Luiz Silva, Clóvis Jr. e Maurício Nunes, que ironizavam o comportamento da plateia VIP, que estava lá mais pelo oba-oba do que por gostar de rock. Eduardo Silva e Tatiana Tavares só encararam a muvuca, vindo de longe, por causa do Muse. Todos eles esperavam que a oportunidade dada pelo U2 fosse uma boa vitrine para sua banda predileta que já tem 12 anos de carreira. Vai saber.

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