Muniz Sodré faz planos para a Biblioteca Nacional

Embora ainda não tenha aceitado formalmente o convite para ocupar a presidência da Fundação Biblioteca Nacional (FBN), o escritor e professor da Escola de Comunicação Social da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) Muniz Sodré já faz planos para sua gestão. Ele disse estar disposto a aceitar o convite feito pelo ministro da Cultura, Gilberto Gil, há 12 dias, e a data da posse deve ser definida em reunião dos dois na semana que vem.Muniz Sodré afirmou que sua prioridade será a formulação de uma nova política nacional de livros, que apelidou de Bolsa Livro. A meta é que todas as famílias do Bolsa Família recebam pelo menos um livro até o fim do mandato, em dezembro de 200. ?A maioria da população pobre não tem sequer um livro em casa. Não sei como vamos fazer, mas acho possível alcançarmos essa meta até o fim do ano que vem.?Para isso, pretende recorrer a estatais, como Petrobrás e BNDES, e empresários da iniciativa privada. ?Estamos vivendo um momento em que é possível sensibilizar o empresariado?, disse ele, apesar de reconhecer que a falta de recursos é a principal dificuldade para uma boa gestão.Sobre o antecessorPor enquanto, Muniz Sodré se recusa a comentar se vai abrir auditoria para investigar a gestão de seu antecessor, o bibliófilo e editor Pedro Corrêa do Lago.Corrêa do Lago pediu demissão há dez dias, depois que o Ministério Público Federal (MPF) abriu contra ele ação por improbidade administrativa. Sua editora, a Livraria Corrêa do Lago, faz a revista Nossa História, que desde 2003 usava com fins lucrativos o acervo da biblioteca sem nenhuma retribuição à FBN.Outro episódio que contribuiu para o pedido de demissão foi o furto de 150 fotografias raras - só 20 foram recuperadas. Segundo a Polícia Federal, os ladrões eram especialistas no assunto e tiveram acesso à biblioteca durante a greve dos servidores do Ministério da Cultura, entre 4 de abril e 12 de julho.Sem se referir ao antecessor, Muniz Sodré disse que garantir uma boa gestão será uma das maiores dificuldades, atrás apenas da falta de recursos: ?A má gestão se parece com o mau trato da coisa pública e daí para a corrupção é um pulo. A gestão da coisa pública é uma questão de cautela. Temos de nos virar sem usufruto pessoal.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.