Municipal do Rio anuncia programação enxuta

A falta de dinheiro para investir em produções pode afastar do Theatro Municipal do Rio grandes estrelas internacionais, mas não o público e a qualidade dos espetáculos programados para este ano. Em março, a secretária de Cultura do Estado, Helena Severo, que acumula também a presidência da fundação que administra a casa, informou dispor de R$ 7 milhões para todo o ano de 2003 e anunciou uma programação quase modesta, mas perfeitamente realizável. Mas não repetiu 2002, quando uma vasta agenda foi prometida e cancelada por falta de verba.Pelo menos dois espetáculos foram sucesso de público e de crítica. O balé Giselle, com coreografia de Peter Wright, foi a estréia na direção do corpo de baile de Richard Cragun. O ex-partner de Márcia Haydée no Balé Stuttgart inovou trazendo o bailarino negro Bruno Rocha, como o príncipe Albrecht, o protagonista, raramente dançado por quem foge ao padrão físico europeu. Mas o que mais agradou foi a prata da casa. Foram 12 récitas lotadas, elogios da crítica e a consagração de Cecília Kerche, Norma Pina e Roberta Marquesas, colegas de elenco de Ana Botafogo, a Giselle brasileira mais conhecida e também a primeira-bailarina do Municipal.A ópera Tosca, de Puccini, que terminou temporada domingo, trouxe pela primeira vez ao Brasil a soprano italiana Francesca Patanè, no título, que agradou pela voz e também pela beleza de quem já desfilou para Giorgio Armani. E marcou também a volta do diretor Ron Daniels, que nunca tinha montado ópera aqui. Novo sucesso de público, casas lotadas nas seis récitas, o que, na opinião de Helena Severo, é conseqüência da mistura do prestígio do Municipal com o ingresso acessível. "Na ópera, o ingresso mais caro custou R$ 60,00 e temos ainda as sessões populares, mas o público quer ver também nossos artistas", comenta ela. "E os corpos estáveis (bailarinos, músicos da orquestra e coro) estão num momento muito feliz."O Lago dos Cisnes, que Cragun considera prova de fogo, é a nova produção do Municipal, este mês, na montagem de Eugênia Fedorowa. Vai substituir Eugéne Onegin, de John Cranko, que ficou para o segundo semestre, pois a diretora responsável não pôde vir agora por motivo de saúde. A próxima ópera a ser montada é Tristão e Isolda, em agosto, com direção de Gerald Thomas. É uma produção nova, mostrada em Weimar e Tóquio. No mesmo mês, será apresentado pela primeira vez o concerto Salmos, de Mário Tavares, morto recentemente. Haverá também uma montagem da ópera O Elixir do Amor, em parceria com o Teatro Colón, de Buenos Aires, previsto para novembro. O ano termina com A Viúva Alegre, de Franz Lehar, em dose dupla, balé e a tradicional opereta, com 18 récitas em dezembro. Para viabilizar tudo isso, Helena conseguiu pelo menos duas parcerias importantes: a companhia de energia El Paso reformou o sistema de iluminação do Municipal (no valor de US$ 1 milhão) e a Embratel, através da lei estadual de incentivo à cultura, entrou com R$ 800 mil de patrocínio.Helena Severo pretende também incorporar a Sala Cecília Meirelles à Fundação Theatro Municipal, cuja programação para 2003 está orçada em R$ 400 mil, ainda não garantidos. Este ano não há venda de ingressos por assinatura, por falta de tempo hábil para viabilizá-la, mas outro eventos devem voltar. "Os programas alternativos (música no foyer e ópera ao meio-dia) não foram cancelados, devem voltar no segundo semestre", adiantou a secretária.

Agencia Estado,

10 de junho de 2003 | 12h31

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