Marcio Fernandes/AE
Marcio Fernandes/AE

Municipal anuncia seu novo diretor

Com experiência lírica, Abel Rocha assume o posto com a missão de pacificar o Teatro no ano de seu centenário

Maria Eugênia de Menezes, O Estado de S.Paulo

16 de fevereiro de 2011 | 00h00

Abel Rocha é o novo diretor artístico do Teatro Municipal. Atual regente residente da Companhia Brasileira de Ópera, o maestro chega para ocupar o lugar deixado por Alex Klein. Na semana passada, o oboísta gaúcho pediu demissão do cargo. Conforme o Estado revelou no dia 11, Klein justificou sua saída apontando graves problemas na estrutura do Teatro. Uma situação de crise que não deve ser muito diferente daquela com a qual Rocha vai se deparar. "Não tenho tempo de fazer nada errado. O tempo já passou", diz o maestro, prometendo cautela para lidar com as dificuldades que encontrará. "Já existe muita agitação dentro do Municipal para que eu tome atitudes agressivas."

Às vésperas de seu centenário, o Teatro está fechado para reformas e só começará a ser reaberto em junho. Além disso, a casa amarga uma "situação de precariedade", conforme aponta o secretário municipal de Cultura, Carlos Augusto Calil. "Hoje, todas as decisões têm que necessariamente passar pela Secretaria. O Municipal possui uma estrutura muito precária e isso não vai mudar enquanto ele não se tornar uma fundação."

Em tramitação na Câmara Municipal, o projeto de fundação deve assegurar ao Teatro autonomia nas suas decisões e a legalização de seus cerca de 300 funcionários, que trabalham com contratos irregulares, sem seus direitos trabalhistas assegurados. Ainda não existe, contudo, uma previsão de quando a proposta sairá do papel.

Com histórica vocação operística, o Municipal poderá ter em Rocha um regente lírico mais experiente do que seu antecessor. Mestre em regência de ópera pela Opemschule, da Roberto-Shumann Musikhochschule, da Alemanha, o regente foi o responsável, nos últimos anos, por consistentes montagens da cena nacional. Entre elas, Pélleas et Mélisande, peça de Claude Debussy praticamente inédita entre nós, e Erwartung de Arnold Schoenberg, ambas produções do Palácio das Artes, de Belo Horizonte.

Além das dezenas de óperas que tem no currículo, também realizou temporadas com a Banda Sinfônica do Estado e atuou como regente residente da Companhia Brasileira de Ópera, criada por John Neschling em 2009.

Ainda que seu nome não constasse da última lista tríplice, enviada pelos músicos da Orquestra Sinfônica ao secretário, em setembro de 2010, Abel Rocha já aparecia como cotado à época. Agora, recém-anunciado no cargo, já definiu entre suas primeiras medidas a procura por espaços de apresentação para a OSM, da qual será o regente titular. "É necessário recuperar uma programação regular de, ao menos, um concerto por semana."

Outro trunfo com o qual o maestro espera contar é sua experiência em lidar com as limitações do Municipal. Nos anos 90, ele comandou o Coral Paulistano, um dos corpos estáveis da casa, e diz conhecer de perto as restrições da instituição. "O Teatro está no escopo de uma repartição pública e isso tem implicações. Mas é preciso lidar com essas características."

De acordo com o novo diretor, a intenção é manter boa parte da programação de óperas e concertos já anunciada para este ano. "Tentarei honrar os compromissos que já foram assumidos. O Municipal precisa zelar pela sua credibilidade." A programação do centenário, porém, não está fechada e poderia ganhar a marca do regente. "Aí, ainda existe espaço para manobra."

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