Mundo virtual chega à era das redes sociais

O mundo virtual começa a criar redes sociais capazes de construir conhecimento, financiar o jornalismo comprometido com causas populares e dar a condição de emissores aos integrantes da multidão anônima, antes somente receptora da cultura de massa. O diagnóstico foi apresentado pelo escritor, crítico e professor do Departamento de Jornalismo da Universidade de Nova York, Mark Dery, em Porto Alegre, em palestra aos cerca de 500 participantes de mais um encontro do curso de altos estudos Fronteiras do Pensamento, promovido pela Copesul (Central Petroquímica do Sul), que compartilhou com o brasileiro Donaldo Schüler, professor de literatura grega, literatura brasileira, teoria da literatura e filosofia antiga na Universidade Federal do Rio Grande do Sul e tradutor de Finnegans Wake, de James Joyce, para o português.Conhecido como um intelectual da cibercultura, estudioso das influências das novas tecnologias na cultura popular, Dery é autor de Escape Velocity. Cyberculture at the End of Century, de 1996, ainda não foi publicado no Brasil, mas é tido como uma referência mundial de análise da cultura na internet. Também publica artigos no New York Times, Wired, Rolling Stone e Village Voice.Curiosamente, Dery se estendeu mais ao usar a pornografia como exemplo das novas redes sociais, que ocupam cada vez mais espaço da internet. Segundo Dery, a pornografia atual está mais próxima do diálogo e da cultura da celebridade. ''''Os jovens preferem ser os atores, aproveitam a disponibilidade de tecnologia e fazem filmes para colocar na internet suas aventuras sexuais de um jeito tão natural quanto mandar uma mensagem pelo celular.'''' Por oferta ou por busca, pessoas de qualquer parte do mundo acabam formando suas redes, compartilhando fantasias. ''''É uma economia erótica, movida pelo intercâmbio social e não pelo dinheiro'''', avaliou.Mas a noção de rede social não está limitada à pornografia e pode ser empregada em inúmeras áreas. Um dos casos mais conhecidos é o do site Wikipédia, que constrói uma enciclopédia aberta a todos que queiram compartilhar ou buscar conhecimentos.Um dos campos mais abertos à criatividade é o do jornalismo. Segundo Dery, as redes sociais podem ocupar espaços da imprensa tradicional, financiada por anunciantes. Já há casos como o de comunidades da Flórida que, com universidades, pagam para ter jornais independentes de pressões empresariais ou políticas, citou. E também do sites que cobrem a Guerra do Iraque com correspondentes pagos por leitores interessados numa visão diferente daquela apresentada pelo governo ou pela grande imprensa.Para Dery, a internet tem ainda a ''''dinâmica social'''' de agregar ''''ilhas'''', mesmo isoladas e ignoradas pelo poder político. Pela mesma noção de rede que pode mover os interessados na construção do conhecimento ou busca de informações alternativas, comunidades distantes podem trocar informações e formar movimentos, mesmo virtuais, em defesa de direitos civis ou mudanças políticas.

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