Mundo literário se volta para o 11 de setembro

Depois de três anos de quase absoluto silêncio sobre os ataques de 11 de setembro, o mundo literário começa a lidar com os significados e conseqüências do pior ataque terrorista já acontecido nos Estados Unidos. Algumas obras que usam o 11 de setembro como tema central já estão disponíveis nas livrarias, outras ainda serão lançadas. Em Windows on the World (Janelas do Mundo, da Miramax), Frederic Beigbeder imagina um pai divorciado com seus filhos em um restaurante no 107.º andar do World Trade Center. Em The Good Priest´s Son (O Bom Filho do Padre, da Scribner), Reynolds Price conta a história de um curador de arte cujo vôo de volta aos EUA é desviado para a Nova Scotia na manhã de 11 de setembro, enquanto seu apartamento em Manhattan é atingido pela poeira.Em Saturday (Sábado, da Nan A. Talese/Doubleday), de Ian McEwan, saturados com a apreensão que torna qualquer calamidade num possível ato de terrorismo, um pai e uma filha debatem se o Iraque tinha alguma relação com o 11/9. The Writing on the Wall (O Escrito na Parede, da Counterpoint), de Lynne Sharon Schwartz, retrata uma livreira cujo mundo recluso é destruído enquanto ela cruza a Ponte do Brooklyn e vê um avião atingir uma das torres. E em Extremely Loud and Incredibly Close (Extremamente Alto e Incrivelmente Perto, da Houghton Mifflin), de Jonathan Safran Foer, um infatigável menino de 9 anos procura por toda a cidade por um cadeado que abre com a chave que ele encontrou no armário do pai, que morreu no ataque.Enquanto os ataques já encontraram lugar em uma enorme variedade de mídia, seja em filmes - como o documentário Fahrenheit 11 de Setembro, de Michael Moore, músicas, peças, poemas, tributos ou livros de massa, apenas agora eles são temas de romances que merecem o respeito dos críticos literários. A demora de quase três anos reflete tanto o trabalho prático de se escrever um livro, quanto a complexidade de se criar um romance.Nenhum dos romances relacionados ao 11 de setembro atraiu um grande número de leitores ainda. Mas dada a popularidade das obras anteriores de McEwan e Foer, isso deve mudar. Windows on the World, que será lançado nos EUA este mês, já é um best seller na França, país natal do autor, apesar das divergências entre França e EUA quanto ao pós 11 de setembro.Com tanta gente com histórias pessoais envolvidas nos ataques, levar um leitor para dentro das Torres Gêmeas a partir de personagens fictícios, como fez Beigbeder, pode evocar reações hostis. "Algumas pessoas já me disseram que o que fiz foi obsceno e nojento", ele disse. "Mas esta é a idéia de escrever ficção sobre a história. É sempre chocante".Os livros podem ser encontrados no site da Amazon

Agencia Estado,

07 de março de 2005 | 21h47

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