Mundo fashion segue o "tal pai, tal filho"

São duas as reações mais comuns quando os filhos dizem que querem seguir a carreira dos pais: esses ou ficam radiantes ao imaginar a continuidade de seu trabalho ou temerosos por saber das dificuldades da profissão. No caso de Carina Duek, de 24 anos, foi a segunda opção que prevaleceu quando ela disse ao pai, Tufi Duek, dono das grifes Forum e Triton - duas das marcas mais bem sucedidas do País -, que pretendia ser estilista. "Ele disse que eu era louca e não tinha idéia de onde estava me metendo", conta ela. "Que não teria mais horários definidos e que enfrentaria uma rotina maluca." Carina faz sua estréia na profissão paterna hoje. Ela apresenta 30 looks num desfile na 13.ª Semana de Moda - Casa de Criadores, evento que reúne estilistas em início de carreira e que acontece de hoje a quinta-feira, das 19h às 21h, no Shopping Frei Caneca. Ela não é a única estilista que está seguindo a trilha do pai famoso e que irá mostrar oficialmente seu trabalho nesta temporada de lançamentos. Pedro Lourenço, de apenas 12 anos, filho dos designers Reinaldo Lourenço e Glória Coelho, também vai dar os primeiros passos na passarela - já na próxima semana e num espaço nobre, o da São Paulo Fashion Week (leia aqui), como criador da grife Carlota Joaquina. Carina, que preparou a coleção em um mês - tempo recorde, já que a maioria dos estilistas leva de três a seis meses -, confessa que está começando a entender o que seu pai lhe disse. "Estou tão cansada que penso que posso capotar a qualquer momento". Ela foi chamada para participar da Semana de Moda (evento que revelou gente como Marcelo Sommer, Mario Queiroz, Ronaldo Fraga, Carlota Joaquina, hoje presentes no elenco da SPFW) só no dia 20 de dezembro. Desde então, não parou de trabalhar um dia sequer. "Quando meu pai soube quase teve um treco. Ele disse que eu não iria conseguir fazer a coleção a tempo porque teria dificuldade até em encontrar gente para trabalhar." Resultado: Carina colocou até a irmã, Sharon (que faz estágio numa agência de propaganda), e o namorado para ajudá-la. Só quem não pôde ver nem um desenho sequer do que ela estava fazendo foi o pai, por proibição dela própria. "A gente sentou para conversar antes de eu iniciar o trabalho. Ele me deu dicas fantásticas e disse para eu seguir o meu estilo", conta. "Tenho muito orgulho do que ele faz, mas preciso encontrar meu caminho sozinha ou serei sempre a filha do Tufi." Carina fez também uma coleção instintiva, ao contrário de Tufi, que escolhe temas para seus trabalhos e desenvolve pesquisa sobre eles para concluir as coleções da Forum e da Triton. No desfile de hoje, ela vai apresentar uma coleção para meninas-mulheres que abusa das cores juvenis. Carina irá levar à passarela roupas, acessórios e sapatos - tudo feito por ela - em vários tons de rosa. A cartela inclui também cinza e verde envelhecidos. "Acrescentei tons que deixaram as roupas com aparência de empoeiradas", conta, revelando que sua primeira coleção oficial já vai apresentar características do que ela espera que venha a ser o seu estilo. "Sempre gostei de rosa puro, mas quis alterar as cores porque quis passar uma idéia de segurança e amadurecimento". Carina Duek fez seu primeiro curso de moda em Londres, em 1998, e depois cursou a faculdade Santa Marcelina, onde se formou no ano passado. Por ora, a estilista só tem uma certeza a respeito de seu trabalho: "Quero fazer roupas femininas ao extremo. O mundo já está agressivo demais e acho que um toque de feminilidade sempre flexibiliza as relações".

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