Munch e Rivera, na Bienal do Mercosul

A 3.ª edição da Bienal do Mercosul não é apenas um pólo de divulgação da produção contemporânea, mas uma ocasião de rever grandes mestres da arte latino-americana e européia, assim como um pólo de divulgação de poéticas distantes. A seleção de salas especiais preparadas promete uma série de surpresas. Indiscutivelmente, os grandes destaques de todo o evento serão o norueguês Edvard Munch e o mexicano Diego Rivera.É bem verdade que nos últimos tempos os brasileiros tiveram oportunidades de ver a obra do mestre expressionista, presente nas 23.ª e 24.ª edições da Bienal de São Paulo com obras clássicas como O Grito e Gólgota. A seleção obtida para a mostra de Porto Alegre pelo comissário especial do evento Jens Olensen, não tem a intensidade dramática das telas mencionadas acima, mas carregam toda a tensão psicológica e angustiada daquele que é considerado o pai do expressionismo.A seleção de trabalhos, que dividirá com Rivera o espaço do Museu de Arte do Rio Grande do Sul (Margs) com Rivera, inclui 10 pinturas à óleo e 20 gravuras, mostrando as várias facetas de sua produção. Antes de seguir para Porto Alegre, essas obras inauguram um novo espaço cultural em Brasília, o único da capital com condições adequadas de temperatura e umidade.Se a presença de Munch é justificável em qualquer exposição que pretenda refletir sobre a criação artística do último século (mesmo que não venha acompanhado de uma mostra de arte expressionista como pretendiam inicialmente os organizadores), a presença de Diego Rivera nessa exposição não podia ser mais adequada.Referência incontornável quando se fala de arte latino-americana, o pintor mexicano é, segundo o curador Fábio Magalhães, o artista da modernidade por excelência, tendo passado por várias escolas, como o cubismo o surrealismo, e finalmente o realismo social com o qual é mais identificado. Para a exposição brasileira, foi escolhida uma abordagem diferente, composta somente por retratos. É possível que essa exposição, criada especialmente para a Bienal, venha até São Paulo, para a Pinacoteca do Estado.Outra atração internacional de menor peso histórico, mas bastante importante para abrir novos horizontes é uma mostra coletiva de sete pintores contemporâneos chineses. No campo do Brasil, o homenageado será o artista multimídia Rafael França, morto precocemente há dez anos.

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