Mummenschanz apresenta espetáculo no Municipal

No escuro, no silêncio, as formas de Mummenschanz aparecem e desaparecem. Uma dança de bonecos, uma conversa entre esponjas animadas e uma dobradura de papéis que sugere rostos humanos surgem no palco e fazem com que cada espectador viaje na sua própria imaginação. Chega ao País o espetáculo mais recente do grupo formado por cinco integrantes vindos da Suíça, Itália, Estados Unidos e Dinamarca: é o 3x11, uma retrospectiva dos 33 anos de atuação da companhia que influenciou outros grupos ilusionistas, como o americano Momix. Após dois anos, a companhia que mistura elementos do circo, teatro e Comedia dell´Arte está de volta para apresentar a magia que nasceu na Europa e encanta o mundo desde 1972. "Nós já estivemos em todos os continentes, com exceção, é claro, da Antártida", brinca um dos fundadores, o suíço Bernie Schürch. "Em 3x11 vamos mostrar o que temos de mais representativo, o melhor do Mummenschanz." E nem se anime ao pensar que o grupo vai revelar os bastidores da produção que faz brilhar os olhos de pessoas de todas as idades. "O segredo faz parte da mágica. O espetáculo torna-se ainda maior se apenas deixarmos a nossa imaginação fluir, sem saber o que ocorre de fato nos bastidores. É a mesma coisa quando você assiste a um filme sobre o qual você já leu a história num livro. O filme torna-se decepcionante", afirma Schürch. Os espetáculos de Mummenschanz são pensados da forma mais simples - no que diz respeito às histórias das esquetes montadas e também no material com que é feito os bonecos, os objetos, as formas interpretadas por cada espectador. "Os objetos que apresentamos no palco foram fabricados a partir de materiais de construção, da cozinha, das ruas, de tudo aquilo que nos rodeia no dia-a-dia, como esponjas, folhas de papéis e fitas crepes", diz Schürch. O objetivo é criar uma comunicação entre o palco e a platéia e sem qualquer tipo de excesso visual ou sonoro. "Queremos criar uma espécie de janela para que as pessoas fujam por ela e sintam-se livres para fantasiar", reitera Schürch. "Nos sentimos em casa aqui, no Brasil, pois o Mummenschanz se identifica muito com o ritmo, as atitudes e a coreografia que os brasileiros possuem." O suíço que fundou a companhia com Andreas Bossard (morto 20 anos depois da fundação do Mummenschanz, em 1992, vítima da aids)elogia o trabalho dos americanos do Momix, influenciados por eles, ao mesmo tempo em que pontua as diferenças existentes entre ambos. "O Momix realiza um lindo e excelente trabalho e fazem muitos shows pelo mundo. Nós vamos mais devagar e queremos nos aprofundar na abstração." O processo de criação de cada espetáculo da companhia é trabalhado por Schürch e Floriana Frassetto. A manipulação e interpretação são feitas por Raffaella Mattioli e Jakob Bentsen. "Não escrevemos nenhum tipo de roteiro a ser seguido. Como material de suporte, temos apenas vídeos e músicas", explica Schürch. "Criamos um fio condutor com quatro ou cinco pontos determinados e, entre esses pontos, ficamos livres para improvisar de acordo com o humor do público." Ueli Riegg é o diretor técnico responsável por toda a iluminação, tão essencial quanto as performances, segundo os fundadores. "Para o 3x11 há 76 luzes e algumas coisinhas especiais também", diz Riegg sem revelar detalhes. Trinta e três anos de Mummenschanz. Será que existem ainda muitas novas cartas na manga? "Vai depender do nosso humor, mas acredito que existem, sim. Nos inspiramos em livros, formas da natureza, rostos humanos. Sonhos sempre vão existir", afirma Floriana. Mummenschanz. Teatro Municipal (1.464 lug.). Praça Ramos de Azevedo, s/n.º, Centro, 3222-8698, metrô Anhangabaú. 4.ª a 6.ª, 21 h; sáb., 17 h. De R$ 40 a R$ 80. Até 13/5

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