Multishow exibe especial de Milton Nascimento

Fernanda Montenegro, quando está no Sul do País, tem a impressão de que foi para a Europa. Na Bahia, é como se estivesse na África. Só quando vai para Minas sente que foi para dentro do Brasil. Quem relembra esta história é Caetano Veloso, no especial A Sede do Peixe, que conta um pouco da vida e da obra de Milton Nascimento, o mais mineiro dos cariocas. O programa será apresentado hoje, às 21h30, no Multishow. E é mais um trabalho da Conspiração Filmes, produtora com um estilo tão definido que já virou grife. Feito em película, A Sede do Peixe foi filmado entre julho e novembro de 1997 em Minas e no Rio de Janeiro. Além de locações em ruas e bares de Belo Horizonte, alguns dos principais encontros musicais acontecem num cenário que lembra uma caverna. As câmeras, sempre em movimentos circulares, funcionam como ?espiãs?. Estão ali, mas ninguém olha para elas, nem fala diretamente. É assim que se consegue que Milton, com sua conhecida timidez, fique à vontade. E o programa conduz o espectador por uma viagem musical brilhante, principalmente porque foca o período mais criativo e de consolidação da obra do artista. A gente é convidada a ver como nasceram clássicos do Clube da Esquina, que nada mais era do que a reunião de um grupo de amigos num botequim mineiro.Como nos velhos tempos, em torno da mesa com algumas cervejas, Beto Guedes, Tavinho Moura, Fernando Brant e Lô Borges, além de Milton, falam de amizade e música. E surge na roda de violão, Clube da Esquina n.º 1, Para Lennon e McCartney, Paula e Bebeto, Paixão e Fé. No estúdio/caverna, com o Skank, Milton canta Viola Violar. Com Carlinhos Brown, o clima é performático e divertido. Com Gilberto Gil, a hora é de lembrar como escolheram Canção do Sal para um disco de Elis Regina (que aparece cantando, num trecho de vídeo cedido pela Band). Caetano Veloso conta da parceria em A Terceira Margem do Rio. Com Alcione, Milton canta o Circo Marimbondo, com Zélia Duncan, San Vicente. Alaíde Costa arrasa em Me Deixa em Paz e Nana Caymmi emociona em Cais. Este especial tem um momento raro: a presença de dona Lília, a mãe adotiva. Ela fala de Milton, ainda bebê, entrando em sua vida e da adoção que só se deu, de fato, quando ele já era adulto. Milton quis que ?além de adotado de coração, fosse de lei?. A Sede do Peixe, dirigida por Carolina Jabor e Lula Buarque de Hollanda, tem um clima intimista, quase introspectivo e com um humor contido. Bem bonito e bem mineiro.

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