Multishow: especial sobre Gilberto Gil

Para Gilberto Gil, todos os lugares do mundo rementem a um: Ituaçu, sua cidade natal, no interior baiano. Todas as impressões das viagens que fez e todo o seu trabalho foram influenciados pela forte presença mística que a cidade exerceu sobre ele. Essa influência, o trabalho e a vida são retomados quando Gil volta, 45 anos depois, à sua Ituaçu, um momento registrado em Tempo Rei, especial inédito produzido pela Conspiração Filmes, que o Multishow exibe nessa sexta-feira, às 21h30.Com direção de Andrucha Waddington, Lula Buarque de Hollanda e Breno Silveira, a primeira cena do programa traz um Gil saudoso dirigindo pela estrada de terra que não mudou nada. "Queria ter voltado de trem", diz o cantor, que deixou a cidade em 1951 para cursar o ginásio em Salvador. A partir daí, por meio de belas imagens e duetos, o especial prova que a vida de Gil é conduzida por sua música e vice-versa. Cada passagem importante de sua carreira é registrada por uma canção. A decisão de não ser professor e seguir a carreira musical é relembrada em Pai e Mãe, que ele canta ao lado de toda a família.Sentado à beira de uma velha estação de trem, Gil relembra as tardes em que esperava a locomotiva chegar. "Um dia um número de um expresso me marcou: 2222", conta. Nem é preciso dizer a que música essa inspiração deu origem. Outro belo momento fica por conta de Lamento Sertanejo, que Gil compôs com Dominguinhos. Para provar que o cantor, além de sertanejo, é também um homem do mundo, imagens de seus shows para uma multidão em São Paulo, durante um Hollywood Rock, são entremeadas por outras de rodas de dança em Ituaçu. Para ele, o melhor exemplo dessa "globalização brasileira" é Carlinhos Brown, com quem canta Refavela. "Essa música é meu testemunho sobre o brasileiro que manteve suas raízes, mas está antenado com o mundo; Brown é a prova de que eu não estava enganado". A fé do cantor ganha expressão em Filhos de Gandhi. Ao comentar sua participação no bloco, ele chora. "Quando saio no bloco, sinto que faço parte de algo grande como o canto e a dança da Bahia".Além de entrevistado, Gil é entrevistador e conduz o espectador a recantos escondidos. Como as vielas de Salvador por onde passeia de carro com Caetano Veloso enquanto conversam e cantam. O parceiro e amigo aproveita para lembrar um aspecto importante do trabalho de Gil: "Você foi o primeiro a trabalhar a idéia de ser negro como tema a ser pensado".Além das várias jam sessions, como a com Stevie Wonder, em Desafinado, o especial fica completo com as conversas com figuras como a mãe de santo Stella, o fotógrafo Pierre Verger e Jorge Amado. O escritor comenta o jeito de ser do baiano: "Dizem que somos preguiçosos; mas nossa preguiça pelo menos é criadora; a pressa dos outros não conduz a nada". Ninguém melhor que Gil para comprovar essa teoria."Tempo Rei". Especial sobre a vida de Gilberto Gil. Dia 30, às 21h30, no Multishow

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.