Múltiplos para festa do MAM

Museu faz evento para arrecadar fundos para seu Panorama de 2013

CAMILA MOLINA, O Estado de S.Paulo

02 de junho de 2012 | 03h07

O Museu de Arte Moderna (MAM) de São Paulo lança uma iniciativa diferente: vai deixar de lado as Leis de Incentivo para realizar, em 2013, a mais tradicional de suas mostras, o Panorama da Arte Brasileira, exposição bienal promovida pela instituição desde 1969. No próximo dia 23 de agosto, a Grande Sala do MAM abrigará uma festa com convites vendidos a R$ 1 mil. O intuito é arrecadar um montante de cerca de R$ 700 mil para a mostra.

"Há uma necessidade de recursos para o Panorama. É uma exposição coletiva, contemporânea, um evento cíclico, mas, geralmente, os patrocinadores gostam de saber antes em quais artistas vão investir", diz o superintendente executivo do MAM, Bertrando Molinari. Ele se refere à facilidade que é captar recursos para mostras de medalhões do peso de Portinari, mas não para uma exposição de caráter mais experimental como o Panorama da Arte Brasileira. Ainda não está definido o curador da próxima edição da mostra, tampouco, seus artistas participantes - os financiadores, assim, apostam na tradição do evento.

A Festa Panorama foi um desafio que a diretoria executiva da instituição lançou em dezembro ao Núcleo Contemporâneo do MAM, formado por 200 sócios (a maioria deles, colecionadores). "O convite é uma obra de arte", conta Flavia Velloso, coordenadora do Núcleo Contemporâneo desde 2007. Sete múltiplos - entre fotografias, desenhos e esculturas -, foram criados especialmente para a ocasião por artistas como Jorge Menna Barreto, Ester Grinspum, Lucia Koch, Luiz Braga, Mônica Nador, Cabelo e Pedro Motta. As "obras-convites", de R$ 1 mil, começam a ser vendidas na segunda-feira (poderão ser vistas no site do museu).

O curador do MAM, Felipe Chaimovich, selecionou os artistas que criariam os múltiplos. Cada obra tem edição limitada de 100 exemplares, sendo que um deles vai para a coleção do museu. O critério, segundo Flavia, foi escolher nomes que já estiveram no Panorama da Arte Brasileira. "O comprador terá de buscar sua obra na galeria de cada artista", diz Flavia - a de Menna Barreto, na Baró; a de Ester Grinspum, na Transversal; a de Lucia Koch, na Nara Roesler; a de Luiz Braga, na Leme; a de Mônica Nador, na Luciana Brito; a de Cabelo, na Marilia Razuk; e a de Pedro Motta, na Luisa Strina. A participação de artistas na "festa-balada", diz Flavia, não se encerra aqui: o coletivo assume vivid astro focus (avaf), formado por Eli Sudbrack e Christophe Hamaide-Pierson, vai fazer a cenografia do evento e Chiara Banfi será a DJ.

"É a primeira vez que pessoas físicas vão pagar uma exposição inteira num país em que tudo é feito com Lei Rouanet", diz a coordenadora do Núcleo Contemporâneo. Para que a instituição não tivesse nenhum custo, oito patronos investiram R$ 186 mil para a festa e outros sócios contribuirão com trabalho. Como explica Flavia, 700 convites serão colocados à venda e 150, "sem obras", serão distribuídos.

O modelo de arrecadação direta é raro no País, apesar de o próprio MAM já ter realizado, anteriormente, seu Baile de Máscaras e a Fundação Bienal de São Paulo ter promovido jantares, recentemente, com esse intuito. Entretanto, Molinari afirma que a festa será um evento pontual e não se estenderá para outras atividades do museu. O Panorama da Arte Brasileira de 2013, assim, nem será incluído no Plano Anual (geralmente, de cerca de R$ 15 milhões) que o MAM vai encaminhar para o MinC.

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