Mulligan e a trilogia de Frankenstein

O Mar não Está pra Peixe

LUIZ CARLOS MERTEN, O Estado de S.Paulo

06 de setembro de 2012 | 03h11

15H40 NA GLOBO

(Shark Bait). EUA, 2006. Direção de Howard e Baker, John Fox.

Peixinho órfão instala-se em belo arrecife e, para impressionar peixinha pela qual se apaixona enfrenta... um tubarão! No original, o vilão fala com a voz de Robert De Niro e é de arrepiar. Reprise, colorido, 77 min.

O Sol É Para Todos

22 H NA CULTURA

(To Kill a Mockingbird). EUA, 1962. Direção de Robert Mulligan, com

Gregory Peck; Robert Duvall; Mary Badham; Phillip Alford; John Megna.

O Clube do Filme resgata o filme que o bom Mulligan adaptou do romance de Harper Lee. O diretor, na época, retomava seu prestígio junto aos críticos, após o sobressalto que se seguiu à sua elogiada estreia (com Vencendo o Medo). Na história, Gregory Peck faz advogado sulista - Atticus Finch - que dá lições de cidadania aos filhos ao defender negro acusado do estupro de uma garota branca. Peck ganhou o Oscar e o filme, em impecável preto e branco, merece sua fama de clássico. Não há exagero em afirmar que o filme até parece melhor, com o tempo. Outro prêmio da Academia foi para o roteiro de Horton Foote. A trilha de Elmer Bernstein é das melhores que ele criou. Reprise, 118 min.

Um Elenco do Barulho

23 H NA REDE BRASIL

(The TV Set). EUA, 2006. Direção de Jake Kasdan, com David Duchovny, Sigourney Weaver, Ioan Gruffudd.

David Duchovny faz roteirista que finalmente tem um projeto aprovado por emissora de TV. O problema é a executiva Sigourney Weaver, que transforma a vida dele num inferno, além de descaracterizar o produto com que ele sonhava. A contrapartida é que a comédia, piloto de uma série, estoura de audiência e ele vira celebridade. O título brasileiro faz justiça ao próprio filme - o elenco é, realmente, do barulho. Reprise, colorido, 88 min.

Os Magníficos

0H30 NA TV BRASIL

Brasil, 2009. Direção de Bernard Attal.

Inspirado no exemplo do cultuado The Magnificent Amberson - Soberba, no Brasil -, de Orson Welles, o documentário discute a decadência da cultura cacaueira no Sul da Bahia por meio das histórias de três pessoas que tiveram uma queda vertiginosa em sua condição social e precisaram se adaptar aos novos tempos (e também dar a volta por cima). O diretor prescinde da figura do narrador e contrapõe depoimentos de forma a criar uma dinâmica. Reprise, colorido, 52 min.

Striptease

4H05 NA REDE BRASIL

(Striptease). EUA, 1996. Direção de Andrew Bergman, com Demi Moore, Burt Reynolds, Armand Assante.

Vão longe os tempos de Mãe Redentora, o clássico Stella Dallas, de King Vidor, com Barbra Stanwyck, que esculpiu (nos anos 1930) o modelo da mãe sofredora dos melodramas de Hollywood. Há 16 anos, Demi Moore encarnava o protótipo da superstar gostosa e o filme, formatado para ela, conta a história de mãe que vira dançarina de striptease para pagar o dinheiro dos advogados, no complicado processo de contestação da guarda de seus filhos. Leonard Maltin, em seu guia, não exagera ao dizer que o filme não é sexy demais nem ruim demais nem idiota demais para se tornar curioso em qualquer categoria que seja. Reprise, colorido, 115 min.

TV Paga

Deus É Brasileiro

19 H NO CANAL BRASIL

Brasil, 2002. Direção de Cacá Diegues, com Antônio Fagundes, Wagner Moura, Paloma Duarte, Stepan Nercessian. Hugo Carvana, Castrinho.

Cacá Diegues baseou-se livremente num conto de João Ubaldo Ribeiro (O Santo Que não Acreditava em Deus) para fazer este filme em que o todo-poderoso resolve tirar férias da função de onipotente e onipresente e vem buscar um substituto no Brasil. Cacá não fez sua comédia movido por nenhum desejo de contestar a religião, mas para poder brincar com o conceito de Deus como personagem literário (de um livro particularmente célebre, a Bíblia). Seu filme é divertido, inteligente, os atores são bons - Antônio Fagundes e Wagner Moura, na fase pré-Capitão Nascimento. O curioso - síndrome de colonialismo cultural? - é que o público preferiu outra comédia parecida e não tão boa, O Todo-Poderoso, que Jim Carrey coestrelou no ano seguinte (com Morgan Freeman). Reprise, colorido, 110 min.

Frankenstein

20H30 NO TELECINE CULT

(Frankenstein). EUA, 1931. Direção

de James Whale, com Colin Clive,

Mae Clarke, Boris Karloff, Edward

Van Sloan, Lionel Belmore.

Considerado o filme definitivo de monstros, o longa que Whale adaptou do livro de Mary Shelley sobre cientista que tenta criar um novo homem com restos de cadáveres transformou Boris Karloff em mito. Há momentos que tocam a genialidade, pois Whale sabia criar beleza a partir do horror, como a cena em que Frankenstein brinca com a menina e termina por afogá-la no lago. A emissora exibe na sequência A Noiva de Frankenstein, de novo de James Whale, com Karloff e Elsa Lanchester, às 22 horas, e

O Filho de Frankenstein, de Rowland V. Lee, o mais fraco (e raro) dos três, com Karloff e Basil Rathbone, às 23h30, Sobre o próprio Whale, há um belo filme, Deuses e Monstros, de Bill Condon, imperdível para cinéfilos. Reprise, preto e branco, 70 min.

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