Mulheres mostram força em funk, poesia e samba

O Dia Internacional da Mulher será lembrado de diversas maneiras nos palcos da cidade. Hoje, a atriz-poeta-cantora Elisa Lucinda estréia o espetáculo Parem de Falar Mal da Rotina no Teatro Augusta. Amanhã, a funkeira Tati Quebra Barraco expõe, sem meias palavras, em show no Urbano, suas convicções sobre a sexualidade feminina. A compositora e cantora Joyce, que já interpretou em bela letra própria as dúvidas do que é ser feminina, divide o palco com Leny Andrade, no projeto Mulheres do Brazil, que começa na quarta-feira no Sesc Pompéia. A carioca Joyce é a compositora brasileira de maior repercussão no exterior. Contemporânea de Rita Lee, Fátima Guedes e Sueli Costa, ela ousou penetrar na seara nobre da MPB - que tinha os pesos pesados Chico Buarque, Edu Lobo e Caetano Veloso, entre outros, como companheiros de geração - fazendo samba e bossa, letra e música, tocando violão e cantando. Foi pioneira ao escrever letras do ponto de vista da mulher. "Quando lancei meu primeiro disco, em 1968, teve gente que se escandalizou com a ousadia da linguagem. Houve crítico que duvidou da minha autoria, dizendo que as músicas eram boas demais para ter sido feitas por uma mulher", lembra a autora. Com contagiante alegria, franqueza, linguagem coloquial, abordagens surpreendentes do cotidiano e da intimidade feminina, Elisa Lucinda faz de seus personagens e das situações que retrata um grande espelho para a platéia. E não apenas a feminina. "As mulheres me usam muito para dizer coisas para os homens e os homens mais novos dizem que aproveitam idéias dos meus livros para conquistar as mulheres", conta. Tati Quebra Barraco, também simboliza outro aspecto da feminilidade. Com apenas um CD, Boladona, que ganhou a tarja "desaconselhável para menores de 18 anos", faz sucesso entre manos e gays, adolescentes e adultos, e vem servindo de modelo de comportamento não só às "cachorras" do funk, como a patricinhas de classe média. Ela não se arvora a ser porta-voz de quem quer que seja, mas uma de suas máximas é: "Toda mulher, entre quatro paredes, é cachorra."Mulheres do Brazil - Sesc Pompéia. Rua Clélia, 93, 3871-7700. De terça (9/3) a sábado, 21h; domingo(13/3), 18h. R$ 8 a R$ 25 Tati Quebra Barraco - Urbano Club. Rua Cardeal Arco Verde, 614, 3085-1001. Amanhã, a partir das 22 horas. R$ 15 a R$ 60 Parem de Falar Mal da Rotina - Elisa Lucinda. 120 min. 14 anos. Teatro Augusta. Rua Augusta, 943, 3151-4141. Sexta e sábado, 21 horas; domingo 19 horas. R$ 30 (sexta) e R$ 40. Até 1/5. Estréia hoje

Agencia Estado,

04 de março de 2005 | 13h46

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