Mulher bonita para todo lado

Vai ter mulher bonita para todo lado nesta terça-feira à noite na Disco. Com um festão na danceteria da Vila Olímpia, a Ford Models comemora os dez anos do Supermodel Brasil, a etapa nacional do Supermodel of the World, disputa que reúne new faces de 35 países e escancara as portas do mundo da moda para aspirantes a tops. A Ford também dá início à corrida pelo título da mais bela modelo brasileira de 2002, e a disputa deverá ser acirrada. "Hoje em dia, todo mundo quer ser modelo, acabou o preconceito, os pais sabem que se trata de uma carreira séria, que dá para ganhar dinheiro", analisa Denise Céspedes, representante da Ford Models. Em uma década de evento no Brasil foram descobertas modelos de sucesso internacional, como Luciana Curtis, Mariana Weickert e Camila Espinosa. Luciana, hoje rostinho de US$ 1 milhão da Revlon, venceu o concurso e ficou em quarto lugar na final mundial. Já Mariana e Camila não levaram o título, mas nem por isso ficaram longe do estrelato. "Mariana é uma das nossas modelos de maior repercussão", conta Denise. Ela é um bom exemplo da diferença entre os concursos de miss e de modelo. Muito parecida com o que um dia foi Barbra Streisand, Mariana não tem traços delicados que se poderia esperar de uma top model. "Para ser miss a mulher precisa ser linda, perfeita. A modelo pode ser um tipo mais exótico." É o caso também da índia Suyane Moreira. Nascida em Juazeiro do Norte (CE), a morena emplacou. Fez campanhas e desfiles para a M. Officer e arrebentou em Londres. Suyane foi revelação da Ford em 2000, ano em que Vanessa de Assis venceu o concurso. Com rostinho de boneca, Vanessa acaba de fotografar a campanha mundial da Ralph Lauren e é a queridinha da hora na agência em Nova York. "Miss também é mais cheinha." Candidatas com 1,70 m podem ter 62 quilos. Uma modelo de mesma estatura teria de ter dez quilos menos. "Não somos nós, as agências, que ditamos regras. Toda confecção trabalha com manequim 38, então as meninas precisão ter de 88 cm a 90 cm de quadril. Se estiver fora deste padrão, ela não vai trabalhar", explica Denise. Para participar do Supermodel é preciso ter pelo menos 14 anos e altura mínima de 1,72m para as meninas e 16 anos e 1,82m para os meninos. A índia Suyane representa também a dimensão que o concurso tomou. No ano em que participou, o Supermodel Brasil teve quase 100 mil inscrições, realizando etapas nas principais capitais do País - e dando chance a garotas como ela, nascidas bem longe do circuito fashion, de mudar de vida. Em 2001, o número de garotas inscritas chegou a casa dos 240 mil, sem contar as quase 80 mil meninas indicadas por scouters de pequenas agências. Rafaela Pereira, de Triunfo (RS), foi a vencedora. "Quem se candidata a miss nunca vai se candidatar a modelo. O título de miss dura um ano, já a modelo que vence um concurso terá uma carreira inteira pela frente", acredita Denise. Para ela, todo concurso de modelo tem de ter apelo internacional. "Se for para ficar só no Brasil nem precisa de concurso, é só entrar na agência. O legal do Supermodel é a chance de concorrer a um prêmio de US$ 250 mil com a Ford Nova York e iniciar uma sólida carreira internacional." A vencedora por aqui garante um contrato de R$ 150 mil com a Ford Brasileira, e as 20 finalistas passam a ser agenciadas pela Ford. "Sempre falo que todas são vencedoras, vão ter contrato, prioridade no apartamento da agência para mudar para São Paulo, motorista para levar aos castings e todas vão ganhar book, composit", diz Denise. A agência vira babá das garotas, a maioria muito jovem. Elas têm dermatologista e nutricionista de plantão a cada 15 dias, e descontos em cursos de inglês. Psicológos? "O melhor psicológo é a própria agência", acredita Denise, que ajuda as meninas a enfrentar a cobrança (da família) de ganhar muito dinheiro. E rápido.

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