Mulher ataca duas obras em exposição na Alemanha

Uma mulher atacou duas instalações de uma controversa exposição de arte cujas peças pertencem a um bilionário herdeiro de um industrial nazista fornecedor de armamentos para a Alemanha Nazista, disseram hoje os organizadores do evento. O ataque bizarro aconteceu no fim da tarde de ontem, no andar superior do museu Hamburger Bahnhof, onde a coleção de Friedrich Christian Flick está exposta desde a manhã de ontem. Durante o dia, não houve nenhum problema ou protesto contra a mostra, que já havia causado polêmica quando anunciada. Gritando, a mulher de 35 anos atacou a instalação Office Baroque, do artista norte-americano Gordon Matta-Clark, fazendo uma série de saltos, tipo mortal, até cair sobre a obra, disse Klaus Dieter Lehmann, presidente da Fundação do Legado da Cultura Prussiana de Berlim. Depois, ela correu pelo salão, pressionando uma parte de um caminhão pintado com spray, que forma a instalação chamada de Graffiti Truck, também de Matta-Clark, amassando-a. Um guarda de segurança chamou seu supervisor para saber como reagir, para evitar que outras peças fossem danificadas, disse Lehmann. A polícia chegou ao local cerca de cinco minutos depois e levou a mulher sob custódia. Quando foi presa, ela disse: "Flick, estou satisfeita´´ , de acordo com um funcionário do museu. Lehmann disse que ela era conhecida da polícia por causar outros problemas. "Não foi uma ação política, de acordo com a polícia, disse". Oficiais disseram que os dois trabalhos poderiam ser restaurados, mas não souberam dizer o valor do prejuízo. A polêmica tem rondado a exposição de Flick, com muitas pessoas questionando se era certo exibir trabalhos de uma coleção de 2,5 mil peças contemporâneas, sabendo-se do passado da família. O avô de Flick, Friedrich Flick, perdeu sua fortuna depois que da derrota da Alemanha nazista na Segunda Guerra Mundial, quando foi sentenciado a sete anos de prisão por crimes que incluíam o uso de trabalho escravo em suas fábricas e o confisco de propriedades de judeus. Libertado em 1950, ele conseguiu reconstruir seu patrimônio na Alemanha Ocidental, antes de sua morte, em 1972.Críticos têm acusado o jovem Flick de tentar limpar a história da família com a mostra, enquanto o governo afirma que a arte não tem relação alguma com a história da família Flick. Mesmo assim, poucas pessoas protestaram ontem durante a abertura d amostra, que contou com a presença do chanceler Gerhard Schroeder. Uma pesquisa mostrou que 58% dos alemães apoiavam a mostra, que atraiu cinco mil pessoas ontem, em seu primeiro dia de visitação pública.

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