Muitos o imitaram, ninguém alcançou a sua perfeição

Análise: João Marcos Coelho

O Estado de S.Paulo

19 de maio de 2012 | 03h11

Aos poucos, desaparecem fisicamente os maiores músicos do século 20. Mas só fisicamente. Os quase mil títulos de registros do barítono elencados na Amazon permanecem disponíveis ao público e aos jovens cantores que querem se iniciar na arte única do lied, que ele praticou como ninguém nos últimos cem anos. Ninguém teve mais imitadores do que ele; ninguém alcançou sua perfeição.

O lied foi seu gênero preferencial. A tal ponto que gravou tudo - tudo mesmo - de Schubert, o que significa em torno de 600 canções; e também todo Schumann, Brahms, Strauss, Mahler, Wolf... Encontrou no pianista Gerald Moore sua alma gêmea. Pois a integração entre instrumento e voz precisa ser absoluta. Nenhuma parceria foi mais fundo do que esta. O timbre aveludado e ao mesmo tempo poderoso; a afinação impecável; as sutis inflexões na voz caracterizando, 'contando' as histórias, vivendo os versos dos maiores poetas de língua alemã. E o piano 'conversando' com a voz.

Possivelmente, na "viagem de inverno" que Dieskau acaba de concluir, ele se foi cantando An die Musik. Um hino de amor à música: "Ó arte graciosa que nas horas mais sombrias,/ quando a vida me maltratava, me ajudou./ Você preencheu meu coração com o amor mais caloroso,/ me levou a um mundo melhor". Dois mágicos minutos, perfeitos para qualificar uma arte única.

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