Muito longe do paraíso

O Brasil mudou muito desde a década de 90, quando Rogério Correa da Silva começou a desenvolver No Olho da Rua. Os índices de desemprego das regiões metropolitanas passaram da media de 14% para 6%, a "nova classe media" surgiu e o País virou a "bola da vez". Nem por isso o longa que chega hoje ao cinema perdeu sua contundência.

Flavia Guerra, O Estado de S.Paulo

13 de maio de 2011 | 00h00

Estrelado por Murilo Rosa, o filme tem baixo orçamento (R$ 1milhão) e conta a história de Oton, um metalúrgico que, depois de 20 anos de trabalho, perde seu emprego para a "onda de automatização" que se abateu sobre o setor industrial mundial nos anos 90. Perde também a dignidade e as esperanças. "O Brasil avança, mas estes 6% de desempregados são um número significativo de brasileiros que não têm trabalho decente. Nada me tira da cabeça de que os nossos índices de violência estão ligados aos desemprego. Quem não tem trabalho, dignidade, oportunidade, assim como do Oton, não tem nada a perder", comenta o diretor.

Murilo Rosa, que por não ser o ''operário padrão'' dá nuances interessantes ao personagem, concorda: "Viajo muito e acabo de voltar dos Estados Unidos, onde participei do Festival de Cinema Brasileiro de Los Angeles. Lá fora, o País está bombando. Mas quando a gente volta, vê que não é bem assim. Moro no Rio de Janeiro e vejo coisas que acontecem que não consigo acreditar. Por que isso ainda acontece se estamos tão bem?" Famoso por seus papéis na TV, Rosa, além de investir mais no cinema (estrelou há pouco Aparecida - O Milagre), sempre quis fazer um filme sem final feliz. "Sempre me associam ao galã, mas quero poder experimentar muito mais."

Para diretor e ator, a intenção não é retratar a figura já emblemática e quase "fabulosa" do metalúrgico. "É para que esta figura simbólica desperte uma discussão política que está longe de acabar."

NO OLHO DA RUA

Direção: Rogério Corrêa.

Gênero: Drama (Brasil/2011, 100 min.).

Censura: 14 anos.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.