Muitas vozes, estilos e formas

The Crimson Petal & The White volta à era vitoriana como um Dickens sensual

Rodrigo Lacerda, O Estado de S.Paulo

31 de dezembro de 2010 | 00h00

Olhando a capa da edição inglesa, ninguém em sã consciência daria nada por esse livro, pois, kitsch como ela é, tudo indica um best-seller de quinta categoria. Mas quando você vai ler, o sujeito é um excelente narrador. Holandês de nascimento, Michel Faber já publicou vários livros e ganhou muitos prêmios, tendo inclusive sido finalista do importante Whitbread, com seu romance de estreia Under The Skin. Em The Crimson Petal & The White (publicado em 2002), a história se passa na Inglaterra vitoriana e narra a ascensão social de uma prostituta, Sugar, graças a seu caso com o herdeiro de uma fábrica de perfumes, William Rackham. Embora utilize, dependendo do momento, diferentes recursos narrativos - um romance dentro do romance, sermões religiosos, anotações de um diário, etc. -, assim dando a alguns protagonistas a sua própria "voz" no livro, Faber concebeu um narrador onisciente que, com muita fluência e verossimilhança, adota alternadamente a perspectiva de vários personagens, e ainda se dirige ao leitor, conversando com ele. Não é fácil usar tantos recursos num livro só e se sair bem em todos os desafios formais que cada um deles coloca. Também a caracterização física dos personagens é excelente, e aos poucos eles vão compondo uma galeria digna de um romance de Charles Dickens. Na verdade, pode-se dizer que esse livro é uma espécie de Charles Dickens com altas doses de erotismo. Ou seja, é surpreendentemente bom.

RODRIGO LACERDA, ESCRITOR, É AUTOR DE OUTRA VIDA (ALFAGUARA)

THE CRIMSON PETAL & THE WHITE

Autor: Michel Faber

Editora: Harcourt

(Importado, 848 págs., R$ 58)

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