Muda formato das HQs

O mercado editorial de quadrinhos de super-heróis vai ganhar novos rumos a partir de agosto. Numa iniciativa radical, a Editora Abril Jovem, que publica há cerca de 20 anos os títulos da Marvel e DC Comics no Brasil, decidiu reformular toda a sua linha de revistas de heróis, decretando o fim do malfadado "formatinho" e da confusão de títulos que sempre confundiu a cabeça dos leitores. Em dois meses, apenas cinco títulos de super-heróis estarão à disposição nas bancas: Homem-Aranha, X-Men, Grandes Heróis Marvel, Batman e Superman (a revista do kriptoniano passará a ser publicada com o nome original).Juntos, os cinco títulos vão compor a série Heróis Premium e serão publicadas em edições com formato americano (aproximadamente 26 cm x 17cm), papel de luxo, capa em papel cartão plastificado, lombada quadrada e 160 páginas. Para a turma acostumada com o preço de banana do formato pequeno, é bom começar a economizar: as revistas vão custar R$ 9,90 cada. As mudanças põem fim à era que ganhou força com as editoras Ebal e Rio Gráfica, entre os anos 60 e 70, e teve seu apogeu quando a Abril assumiu, na década de 80, os títulos da Marvel e da DC no Brasil. Até o início dos anos 90, histórias em quadrinhos de super-heróis reinavam absolutas no gosto infanto-juvenil, ao lado da TV. Eram diversão barata e de fácil digestão. Isso até a evolução tecnológica transformar o perfil de uma geração de potenciais leitores, crias do videogame e da Internet. A conseqüência foi óbvia: o mercado de HQs sofreu uma retração de cerca de 30% não só no Brasil, mas em todo o mundo, até mesmo nos Estados Unidos, a meca da indústria de HQs.Segundo o editor-chefe da Abril Jovem, Sérgio Figueiredo essa retração "fez com que o ciclo de renovação de leitores" ficasse mais lento. "Os jovens passaram a ter outros focos de interesse depois dessa revolução na comunicação", analisa Figueiredo. Isso significa que, hoje, muitos gastam o tempo antes reservado para ler passando horas na frente do computador.No momento em que notou essa mudança de comportamento e o aumento do nível de exigência, a Abril Jovem concluiu que as estratégias de marketing usadas nos últimos anos - como preços mais baixos e distribuição pulverizada em todo o território nacional - tornariam-se ineficazes hoje. "Vimos que era necessário tomar novos rumos", conta Figueiredo.PreocupaçõesContudo, duas questões vêm preocupando os leitores: a cronologia e o preço. Sobre o primeiro caso, o editor explica que tudo continuará como antes. "Quem já é leitor não vai perder nada; por exemplo, a saga Terra de Ninguém, do Batman, será mantida normalmente no novo formato", esclarece Figueiredo. "A única mudança será o avanço em seis meses da cronologia do "Super-Homem", cujas histórias não andavam boas e sempre recebiam críticas dos leitores."Sobre o problema do preço, Figueiredo diz que é um equívoco afirmar que as novas revistas serão caras. Para ele, as edições terão a qualidade das revistas americanas, com preços proporcionalmente melhores. Nos EUA, uma publicação normal, com 22 páginas e apenas uma história, custa em média US$ 2,50 (cerca de R$ 5). Com R$ 10 seria possível ler apenas duas edições ou duas histórias. Aqui, seria possível ler sete. Claro que há um fator agravante aí: nos EUA, o salário mínimo é pelo menos dez vezes superior ao daqui.O fator qualidade será certamente a grande vantagem do formato original americano. Sempre foi prática comum cortar parte da arte original para adaptar as histórias ao formatinho, mesmo que isso passasse despercebido aos olhos dos jovens leitores brasileiros, que não tinham acesso aos exemplares americanos. As críticas aos cortes aumentavam à medida que as edições originais começaram a chegar às importadoras.A propósito: personagens clássicos como Capitão América, Demolidor, Hulk, os Vingadores e o Quarteto Fantástico serão reunidos em Grandes Heróis Marvel. A Espada Selvagem de Conan e Spawn continuam a ser publicadas normalmente. O único título cancelado será Darkness, que, definitivamente, não decolou.O lançamento dos novos títulos vai pegar carona na estréia no Brasil de X-Men - O Filme, no dia 11 de agosto. Pelo pouco visto até agora, o longa-metragem sobre a equipe de mutantes mais famosa da Marvel parece ser a melhor adaptação já feita para o cinema de heróis dos quadrinhos.

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