MuBE mostra esculturas de Bernar Venet

Vinte e cinco anos após ter participado da 14.ª Bienal de São Paulo, Bernar Venet volta a São Paulo. A mostra que será inaugurada nessa terça à noite no Museu Brasileiro da Escultura (MuBE) e já foi vista em Brasília e no Rio, reúne oito esculturas monumentais do artista francês, radicado nos EUA, e um mural realizado especialmente para o local.Não se pode dizer que se trata de uma mostra retrospectiva, mas os trabalhos selecionados para a mostra (que também inclui a exibição de vídeos e trilha sonora de autoria de Venet) resume de maneira bastante precisa as pesquisas com linhas e arcos que o artista desenvolve há mais de três décadas, transformando materiais como a madeira e o aço em verdadeiros desenhos no espaço.Alinhado com os artistas conceituais como Sol LeWitt, Robert Morris e Cy Twombly, Venet associa o conceitualismo defendido pela escola americana com o caráter mais aleatório, aberto ao acaso e às determinações ditadas pelo material e pela técnica, das experiências desenvolvidas pelo neo-realismo francês.As experiências de Land Art também parecem fascinar o artista. Entre seus projetos, há a ambiciosa Grande Diagonal. Sua idéia era instalar duas enormes vigas de aço inclinadas em pontos de Paris e Hong Kong, de forma que o planeta Terra parecesse "atravessado" por essa imponente lança.Segundo a crítica Ann Hindry, autora do texto do catálogo, pode-se resumir a obra de Venet como "uma soma de parâmetros bastante específicos, fixos, adaptados a um rigoroso método, com dados materiais iniciais bem determinados - máquinas ferramentas, materiais, peso, proporções, velocidade de execução, etc. - reunidos para a aplicação de um processo essencialmente aleatório, cujo resultado é indeterminado".A matemática e o cálculo têm uma importância fundamental em sua obra, mas é na execução que se define o verdadeiro caráter de esculturas como as que levam o título geral de Linha Indeterminada.O painel realizado especialmente para o MuBE - que teve suas versões nas outras cidades brasileiras - também decorre de uma apropriação um tanto quanto livre do cálculo. Em vez da abstração da linha, o artista optou por criar paisagens matemáticas, formadas por uma série de equações (o título da série é, aliás, "Equações Maiores").Apesar de continuar desenvolvendo algumas séries de trabalho paralelamente e ao longo de décadas, Venet costuma afirmar que seu maior interesse é a diversidade. "Se acaso amanhã eu descobrisse uma forma de arte tão radical que tornasse obsoleto tudo o que pensei e produzi até agora, a ela me lançaria imediatamente. O prazer da descoberta é a única coisa que vale a pena, é a minha única motivação", afirma ele em testemunho publicado no catálogo de suas exposições brasileiras.Talvez isso explique a necessida de Venet de expressar-se por meio de várias linguagens (ele se expressa não apenas por meio da escultura, da pintura e do desenho, mas também da música, do cinema, do balé e de outras formas de arte). A mesma diversidade é constatada em sua capacidade de se alimentar de distintas escolas e caminhos. "As várias ramificações de sua obra entram em muitos dos caldeirões que fizeram a grande cozinha histórica da arte desta segunda metade de século", conclui Ann Hindry.Bernar Venet. De terça a domingo, das 10h às 19h. MuBE. Rua Alemanha, 221, tel. 881-8611. Até 10/12. Abertura, terça, às 19 horas. Patrocínio: Banco do Brasil e Fundação Djalma Guimarães

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