MPE vai investigar "pegadinha" do Mallandro

O Ministério Público Estadual (MPE) requisitou hoje cópia do programa do apresentador Sérgio Mallandro, da TV Gazeta, que foi ar sábado, para investigar suposto "atentado à dignidade humana". O apresentador aplicou uma "pegadinha" na qual ofereceu droga - a produção garante que era açúcar - ao cantor Rafael Ilha Alves Pereira, que se recupera de dependência toxicológica.O quadro aumentou a audiência do programa. Teve média de 7 pontos e picos de 11, segundo o Ibope. A média da segunda parte do programa foi de 5 pontos, com picos de 9.O promotor Fernando Capez requisitou cópia do programa e vai enviar a investigação para os promotores da Cidadania. "Não desconhecemos o direito de explicitar o humor por meio de brincadeiras, desde que elas não atentem à dignidade humana", disse.A mesma promotoria processou e conseguiu a condenação de Carlos Massa, o Ratinho, por excessos cometidos em seu programa - inicialmente na TV Record e mais tarde no SBT.Mallandro disse que a pegadinha "foi a melhor coisa que aconteceu na vida de Rafael". "Se quiserem gravar, vou repetir a pegadinha quarta-feira". Segundo ele, Rafael agradeceu-lhe pela brincadeira. "É melhor falar que ele resistiu do que estampar nos jornais que ele fica engolindo pilhas", afirmou Mallandro, referindo-se às tentativas de suicídio do cantor.A reportagem não localizou hoje Rafael. A mãe dele, Silvia Vieira, acusou o programa de ter posto em risco a vida do filho em busca de audiência. "Foi a coisa mais nojenta que já vi na minha vida", disse Silvia.Perversidade - Para profissionais envolvidos na recuperação de consumidores de drogas, a "pegadinha" aplicada por Mallandro em Rafael não é uma simples brincadeira, mas uma "perversidade". Tem efeitos negativos não só para o cantor, como para o consumidor que está querendo recuperar-se. "É uma conduta sádica, perversa", disse a psicanalista Isabel Marazina, diretora da Clínica Sedes Sapientae.O professor e psiquiatra Dartiu Xavier da Silveira, do Programa de Orientação e Assistência ao Dependente (Proad), da Escola Paulista de Medicina, acha que efeito da "brincadeira" pode ser destrutitivo para o cantor, além de mexer com a auto-estima de quem enfrenta problema semelhante.Para Silveira, quem estimula tais tipos de "brincadeiras" apresenta algum tipo de distúrbio de personalidade. "É um problema sério de quem faz também."O quadro de pegadinhas já rendeu muitas denúncias contra Mallandro. Integrantes da equipe de produção já acusaram-no de ameaça de morte, chantagem, uso de drogas, desvio de verbas, sociedade em casa de prostituição, assédio sexual, falsificação de assinaturas e não-pagamento de cachês aos participantes de pegadinhas. Mallandro nega as acusações.Para impressionar o telespectador, o programa aborda temas como violência, traição, suicídio, entre outros. Os atores usam até revólveres e facas para simular tiroteios e crimes em locais públicos.

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