Mozart embala serial killer de Malkovich

Astro protagoniza obra musical sobre um assassino

MARIA EUGÊNIA DE MENEZES, O Estado de S.Paulo

02 de novembro de 2011 | 03h06

A música de Mozart, um serial killer, John Malkovich. Todos esses são os ingredientes que compõem The Infernal Comedy, espetáculo que o Teatro Municipal recebe para três récitas, a partir da sexta-feira.

Na montagem, que já passou pelo Rio e por Salvador, o astro do cinema hollywoodiano interpreta Jack Unterweger, um assassino austríaco que foi condenado, em 1976, por estrangular uma mulher. Após escrever uma autobiografia e poemas, o criminoso tornou-se uma celebridade. Conquistou a simpatia da elite de Viena, a confiança da Justiça e viu-se livre para cometer outros homicídios.

Verídico, o episódio serviu de mote para a incursão que Malkovich faz pelo universo da ópera. Foi o próprio ator que sugeriu o tema ao maestro Martin Haselböck. O regente, que já tencionava unir o teatro à música barroca, deu forma à obra com o auxílio do dramaturgo Michael Sturminger. Acompanhado pela Musica Angelica Barroque Orchestra, o ator compõe um Unterweger tão contraditório quanto sedutor. Características que certamente remetem a personagens que celebrizaram Malkovich no cinema. Entre eles o ardiloso Valmont, de Ligações Perigosas, e o assassino de Linha de Fogo, thriller policial de Clint Eastwood.

Acompanhado pelas sopranos Marie Arnet, Kirsten Blaise e Sophie Klußmann (as duas últimas se revezam no papel), Malkovich relata os percalços desse Barba-Azul contemporâneo. "Nunca fui capaz de dizer a verdade", diz o protagonista à plateia. Depois de libertado, o personagem estrangulou diversas prostitutas na Europa e nos Estados Unidos. Em 1992, foi preso e posteriormente condenado à prisão perpétua por nove assassinatos. Não chegou, porém, a cumprir um dia sequer da pena. Suicidou-se na cadeia.

A narrativa surge na forma de monólogos, entremeados por árias musicais. Obras de Vivaldi, Haydn, Mozart, Beethoven, Gluck e Boccherini integram o repertório.

Depois de estrear em Los Angeles, a ópera já rodou o mundo: Londres, Nova York, Praga, São Francisco, Varsóvia. Em todos os pontos da turnê, o desempenho de Malkovich costuma ser saudado como um tour de force. A mesma aura de unanimidade, contudo, não cerca a performance musical. "Boa, mas não ótima", cravou o Guardian sobre a condução de Martin Haselböck à frente da orquestra.

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