Mostras mapeiam produção recente da arte brasileira

A exposição Mapa do Agora, queo Instituto Tomie Ohtake inaugura amanhã, tem dois propósitos: ser uma apresentação geral da Coleção João Sattamini, abrigada no Museu de Arte Contemporânea de Niterói, e, ao mesmo tempo, explorar todo o percurso da arte brasileira que a coleção abrange - início da década 50 até obras criadas neste ano. A mostra é a primeira de uma série de quatro exposições que o instituto vai realizar neste semestre, projeto idealizado pelodiretor do Tomie Ohtake, Ricardo Ohtake, com curadoria-geral deAgnaldo Farias. "A idéia é mostrar a trajetória recente da artebrasileira", diz o diretor. Arte conceitual, institucionalização da arte nos últimos dez anos e os caminhos para o futuro serão os temas das próximas exposições.Para esta primeira, o ponto de partida foi trazer asobras da Coleção João Sattamini, com curadoria de GuilhermeBueno. Dividida em três módulos, cada sala apresenta einter-relaciona obras de mesmos períodos, explorando suasrespectivas questões. A primeira sala - Heranças Modernistas eEmergência da Abstração - é uma maneira de mostrar "o impactoda abstração e o impacto da 1.ª Bienal de Arte de São Paulo nosartistas brasileiros", como explica Bueno. Estão reunidascriações dos representantes do concretismo carioca e paulistano,além de destaques de trajetórias particulares de alguns dosartistas. "Mas o objetivo é observar que cada época é flexível,as coisas não são estanques. É mostrar como os artistas absorvemou confirmam algumas das convicções ou poéticas de uma épocadurante suas trajetórias", reforça o curador.Cronologicamente, o primeiro módulo é composto por obrasrealizadas entre os anos 50 e até pouco antes do golpe militar.Entretanto, para não limitar a identificação das salas de acordocom os grandes movimentos de cada época, o curador diz quemontou uma espécie de jogo. Por exemplo, nessa sala há uma obrafigurativa de Iberê Camargo ao lado de outra no mesmo estilo deMaria Leontina, para depois, em outro canto do espaço, oespectador reconhecer dois trabalhos abstratos desses doisartistas. O título da obra de Iberê, Forma Rompida, de 1964,sinaliza um exemplo de percurso.O segundo módulo, Experimentalismo, engloba obras dasdécadas de 60 e 70 e destaca "episódios emblemáticos desseperíodo", remetendo a criações do Grupo Rex, formado por NelsonLeirner e Wesley Duke Lee, e pontuando "exposições históricas", como as cariocas Opinião 65 e Opinião 66, cita o curador."Conteúdo plástico e conteúdo político" fundem-se nas obras,maneira de questionar as linguagens, bem como a "arte e o poderque a legitima", diz Bueno. Para o curador, a síntese dessemódulo é a obra interativa Repressão Outra Vez, Eis o Saldo,de 68, criada por Antônio Manuel. O módulo também traz obrasque absorveram - ou repeliram - a arte pop americana. E exemplosde arte conceitual.Por fim, o último módulo, Novos Debates, percorre operíodo da redemocratização, da década de 80 até os dias dehoje. A volta da pintura, obras com reminescências doexperimentalismo, o orgânico, a rigidez geométrica de Sued, tudoestá misturado. "Acho chata essa maneira como os artistas sãoidentificados por apenas uma fase de suas trajetórias", afirmaBueno. Como registro de Mapa de Agora está previsto para odia 21 de setembro o lançamento de um grandioso catálogo quecontará, também, com textos antológicos de cada período, comoconfirma Ricardo Ohtake.Mapa do Agora - Coleção João Sattamini. De terça adomingo, das 11 às 20 horas. Instituto Tomie Ohtake. AvenidaFaria Lima, 201, São Paulo, tel. 6844-1900. Até 3/11. Abertura,amanhã (21) às 19 horas.

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