Mostras celebram a cidade mais clicada do mundo

Desde a invenção da máquina fotográfica, Nova York é, talvez, a cidade mais fotografada do mundo. New York, New York: Photographs from the Collection e New York: Capital of Photography, mostras exibidas respectivamente pelo Metropolitan e pelo Jewish Museum, reforçam esse status e sublinham suas razões. Juntas, as duas somam cerca de 170 imagens de todos os ângulos, bonitos e feios, dessa top model urbana, imortalizando sua paisagem serrilhada de arranha-céus e retratando os personagens, célebres e anônimos, que compõem o grande espetáculo nova-iorquino. Depois de ter sofrido o ataque terrorista que matou quase 3 mil pessoas e destruiu as torres gêmeas do World Trade Center - seu maior símbolo de poder econômico e do gigantismo de sua paisagem -, a cidade teve dezenas de exposições fotográficas focalizando principalmente a tragédia que a desfigurou, com imagens produzidas na maior parte por amadores. Mas as que são exibidas pelos dois museus reúnem obras-primas da fotografia americana e mostram aquela que os turistas chamam de "a Nova York dos filmes", o cenário e os personagens que, ao longo de mais de cem anos, fizeram a cidade ser o que é.Em ambas encontram-se trabalhos de profissionais célebres como Berenice Abbott, Walker Evans, Lewis Hine, Alfred Stieglitz, Edward Steichen e Weegee. New York, New York, exibida pelo Metropolitan até 25 de agosto, traz cerca de 60 obras produzidas entre as décadas de 1850 e 1970 que destacam principalmente cenas de rua e a arquitetura da metrópole. New York: Capital of Photography, que fica em cartaz no Jewish Museum até 2 de setembro, relembra em 105 fotos as transformações ocorridas na cidade, década por década, de 1898 até o ano passado. A maioria das imagens é em preto-e-branco e visualiza sobretudo o lado humano da cidade, representado por sua gente.Produzida por Jeff Rosenheim, curador assistente do Departamento de Fotografia do Metropolitan, New York, New York também exibe quatro curtas-metragens feitos por fotógrafos representados na mostra: Manhattan (1920), de Paul Strand e Charles Sheeler, In The Street (1952), de Helen Levitt, James Agee e Janice Loeb, Under the Brooklyn Bridge (1953), de Rudy Burckhardt, e Broadway by Light (1958), de William Klein. Nas lojas de souvenirs do museu, estão cotados como best sellers o livro New York, New York: The City in Art and Literature - com pinturas, fotografias, cartões-postais, mais poemas, cartas e outros textos celebrando a cidade - e os dois CDs The City in Song, com músicas que têm o mesmo tema interpretadas por Louis Armstrong, Lena Horne, Duke Ellington e Peggy Lee, entre outros.Organizada pelo crítico e historiador de fotografia Max Kozloff, que também é autor do ensaio publicado no catálogo da exposição, New York: Capital of Photography enfatiza a origem imigrante e judia de dois terços dos fotógrafos que tiveram obras escolhidas para a mostra. "Eles não escondem a afeição que têm pela cidade, mesmo quando documentam brilhantemente o que vêem como seus defeitos", observa Kozloff. "Marcado pela exuberância, compaixão e identificação com o sofrimento humano, o trabalho deles ainda é a fundação na qual fotógrafos contemporâneos se apoiam para representar a vida hoje."Como ponto final, a mostra no Jewish Museum traz uma foto tirada por Jeff Mermelstein no fatídico 11 de setembro passado. Numa praça a um quarteirão de onde ficavam as torres do World Trade Center, tudo está vazio e coberto de cinza. A escultura de bronze de um homem com sua pasta executiva sobre o colo parece refletir o espírito indestrutível da cidade.

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