Mostra virtual traz obra de Guto Lacaz

Desde hoje, os internautas podem descobrir as várias facetas do irreverente Guto Lacaz visitando a galeria virtual do portal Estadao.com.br. Conhecido pelas irônicas performances e inúteis, mas provocativas, engenhocas que vem criando a partir de associações curiosas entre conceitos e objetos - produzindo cabides com rodas, azeites Maria portadores de radar para encontrar saladas e outras maluquices - esse artista é bem mais do que um cientista maluco. Trata-se de um artista múltiplo que trafega entre diferentes formas de expressão artística. Instalações, performances e objetos convivem lado a lado com uma sólida pesquisa gráfica, que já gerou várias marcas e logotipos extremamente enxutos, que têm por objetivo principal traduzir uma determinada mensagem sobre o produto ou o tema que motivou o trabalho. "Sou a favor de ter uma idéia que comande o trabalho, mesmo que ela não fique clara para quem vai ver, mas que o designer ao desenhar saiba justificar aquilo que fez", afirma o artista num depoimento reproduzido no site. Para facilitar a visita à exposição, a obra de Lacaz foi dividida em cinco capítulos centrais: o Artista Plástico, as Instalações, o Performance e o Gráfico. Há uma ampla seleção de imagens que, infelizmente, nem sempre são acompanhados de texto explicativo. Dentre as instalações se destaca a impressionante montagem de uma série de cadeiras sobre o espelho d´água do lago do Parque do Ibirapuera, que tem uma apresentação primorosa no site. "Sempre tive vontade de fazer um trabalho na superfície da água. Sempre gostei de barcos e submarinos. Estudei quais objetos poderiam causar perplexidade e plasticidade se dispostos na superfície da água. Durante dois meses, fiz testes no lago para entender as forças da natureza e para avaliar soluções técnicas e materiais", explica ele. A perplexidade buscada por Lacaz nem sempre exige o uso de grandes dimensões. Ela pode ser obtida com pouquíssimos mas impactantes elementos, como a estranha "escultura", intitulada ironicamente de "Lógico Equilíbrio". Feita em 1989, a peça mostra como é viável equilibrar de maneira ilógica uma tesoura, uma colher e um garfo, criando uma escultura surreal. Nem só de provocação é feita a obra do artista, que muitas vezes lança mão de um discurso poético para tocar o espectador. É o caso, por exemplo, da obra que fez para a mostra Árvore de Cada Um. "Depois de muito estudar, veio-me esta idéia: uma caneta que parava em pé com o auxílio de um campo magnético. Comprei a caneta, desmontei, tirei os dois ímãs e coloquei um no tronco e outro em volta. A pequena árvore, ameaçada, fica em pé pela ação dos dois ímãs", explica ele. É extremamente tocante e singela essa pequena árvore tentando atingir um equilíbrio impossível nessa nossa sociedade de consumo em que o efêmero parece valer mais.

Agencia Estado,

27 de outubro de 2000 | 18h06

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