Mostra traz todas as nuances do corpo

Para Cláudio Mubarac, a gravura não ésó imagem estampada e o papel não é só suporte, mas umaconstrução gráfica em que ele pode misturar técnicas - alitografia com a calcografia, por exemplo -, reaproveitarantigas matrizes para ver outros resultados, às vezes,inesperados. Seus mais recentes trabalhos podem ser vistos naValu Oria Galeria de Arte, que inaugura amanhã, também,exposição com pinturas de Ana Muglia. Nas gravuras de Mubarac, que ocupam o térreo da galeria,pode-se perceber que uma das idéias exploradas por ele é ainvestigação sobre o corpo humano, iniciada em 1989. "Mas é ocorpo como construção cultural, não só o resultado de umaobservação de figuras", explica. O primeiro contato com essaidéia foi quando Mubarac comprou uma revista de anatomia edescobriu que a própria palavra anatomia queria dizer incisão.Logo, veio-lhe a noção de que era muito próxima a idéia deincisão com o trabalho realizado nas chapas de metal e, assim,iniciou uma série com esse tema. E conseguiu ir além do tema quando fundiu a litografiacom a calcografia, "dois gestos contrastantes" que lherenderiam uma terceira imagem. Com a mão cheia de tinta,imprimia o papel como num tapa. Depois, com o buril ou a pontaseca, completava o mesmo papel com desenhos que geralmente sereferem aos ossos da mão ou que se referem ao crânio. Já emoutra série, só com gravura em metal, Mubarac explora o desenhodo globo ocular ao mesmo tempo em que imprime folha de ouro ou acor azul. Já as pinturas de Ana Muglia são uma investigação sobrefronteiras. O chassi é um limite que ela quer romper e deixaraparente sua ação. Desse modo, para remeter a um muro ou ao atode construir, Ana utiliza materiais como concreto, tijolo eferros acompanhados de pigmentos naturais e têmpera. As formas são quase geométricas, mas, diga-se, umageometria sem rigidez, como se fossem faixas de cores vazadas,outra maneira de ultrapassar um limite e, ao mesmo tempo,remeter à pintura. O uso da têmpera também remete a questões dopictórico, quando proporciona diferentes nuances, às vezes atémesmo transparências. Mas Ana prefere se prender à idéia de construção, comose suas obras fossem oriundas de um "canteiro de obras", queergue casas ou muros. Como se suas pinturas fossem o registro edeixassem o resquício de uma ação contra qualquer limite. Serviço - Ana Muglia e Claudio Mubarac. De segunda a sexta, das 10 às 19horas; sábado, das 11 às 14 horas. Valu Oria Galeria de Arte.Al.Gabriel Monteiro da Silva, 1.403, tel. (11) 3083-0811. Até31/8. Abertura às 21 horas.

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