Mostra traz panorama do corpo na arte

A mostra O Corpo na Arte Contemporânea Brasileira, que será inaugurada hoje para convidados, no Itaú Cultural. Com curadoria de Fernando Cocchiarale e Viviane Matesco, a exposição apresenta mais de cem obras realizadas desde a década de 60 até hoje por 80 artistas - já no evento de abertura, serão feitas performances por Laura Lima e Marco Paulo Rolla, Thelma Bonavita e Anderson Gouveia.A exposição, que ocupa todo o prédio instalado na Avenida Paulista, é o carro-chefe de um evento multidisciplinar da instituição sobre o tema do corpo - estão incluídos na programação discussões e espetáculos de dança (veja texto ao lado), performances (ocorrerão em outros dias as dos artistas Marcelo Cidade, José Eduardo Garcia de Moraes e Michel Groisman), seminários com presenças de Maria Rita Kehl e Lucia Santaella, por exemplo, e uma mostra de vídeo.Como contam os curadores da mostra, foi feito um mapeamento dos "diferentes modos pelos quais o corpo humano foi tratado pela arte brasileira". "O que diferencia essa exposição é a abrangência, ela é uma panorâmica. As gerações estão misturadas, não há divisão de suportes e os trabalhos são bem conhecidos", diz Viviane Matesco, coordenadora da Escola de Artes Visuais do Parque Lage, no Rio. O tema da mostra foi o de sua tese de doutorado. Na entrada, o espectador vai se deparar com o vídeo O Ovo (1967), de Lygia Pape. Nele, a artista rasga um quadrado de papel para dele sair, símbolo do nascimento, o corpo do artista mesmo.A história do nu nas artes - Depois, o visitante entrará na Sala Introdutória. Com quatro peças, é a única cronológica. A primeira obra é a escultura A Faceira, de Rodolfo Bernardelli. Feita no século 19, precisamente em 1880, o bronze pertencente à Pinacoteca do Estado é um exemplo de nu, uma tradição. Ao lado dela, está outra peça em bronze de 1945, O Impossível, de Maria Martins, e agora é o corpo modernista, que se metamorfoseia e adquire uma figura irreal, surreal, na verdade. Passando pela década de 60, está a Trouxa, de Barrio, como um pacote de carne amarrada, até chegar à forma orgânica, mas feita com estofado, de Edgard de Souza, obra de 1989. É uma mudança drástica, como diz Cocchiarale, e por isso suas datas estarão em letras garrafais.Há ainda o módulo Marcas, Rastros e Projeções do Corpo. Nele, o corpo não é explícito. Na pintura Variável # 10, de Fabiano Gonper, o espelho emoldurado é jateado e, assim, impossível refletir com perfeição o corpo de quem o olha. O corpo vai caber no vestido sedutor e cortante de miçangas e giletes de Nazareth Pacheco? Ou ser diminuto para o conjunto de duas minivestimentas de Efrain de Almeida? As formas orgânicas feitas por Ernesto Neto com tule de lycra e especiarias evocam cheiros e, além disso, o cabelo colocado ele mesmo como arte - na obra de Tunga e Jeanine Toledo - são matéria do corpo.No outro piso, o mais subterrâneo, estão as entranhas. Nas gravuras da década de 60 de Anna Bella Geiger, está uma lição de anatomia, mas, ao lado, é como se os órgãos estivessem sob o chão, um piso de azulejo feito pela artista Adriana Varejão.Já nos andares superiores estão Corpo em Ação e Corpo Imagem. No primeiro caso, são os registros de ações, performances e um dos símbolos é a documentação fotográfica de O Corpo É a Obra, de Antonio Manuel. Em 1970, ele inscreveu em um salão seu corpo mesmo, nu, como trabalho. Conseguiu fugir antes de ser pego. As décadas de 60 e 70 representam ruptura, como diz Cocchiarale. Happenings eram recorrentes. Lia Chaia risca seu corpo por 50 minutos com caneta esferográfica e esse trabalho nos revela que as ações são incessantes mesmo, até se desgaste.

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