Mostra traça o caminho da arte de Arcangelo Ianelli

Mais da metade das 82 obras da exposição Os Caminhos da Figuração de Arcangelo Ianelli, que será inaugurada hoje na Faap, nunca foram vistas pelo público. Isso porque quase todos os quadros realizados entre 1942 e 1960 pertencem à coleção pessoal do artista, representam algo muito precioso para ele e revela muito do processo de amadurecimento de um dos nossos mais importantes pintores. A mostra, com curadoria assinada por seus filhos, Katia e Rubens, resgata os 18 anos de figuração de forma cronológica. "Nunca um número tão significativo de obras figurativas de sua autoria foi exposto", diz Katia.Na grande sala estão desde as primeiras telas que Ianelli, hoje com 82 anos, realizou ? suas primeiras experiências acadêmicas ? até aquelas em que a geometria quase domina as figuras; obras em que o artista está a um passo da abstração pura, com a qual sua obra é muitas vezes identificada. "Pensamos numa exposição cronológica para mostrar como é coerente seu trabalho", analisa a filha do artista.As obras revelam muito da intimidade de Ianelli. No início de sua produção, Ianelli freqüentou ateliê de acadêmicos na Associação Paulista de Belas Artes. Suas primeiras obras foram feitas a partir da observação de modelos vivos, de composições montadas. Nas primeiras telas, as texturas são visíveis, as camadas de tinta são espessas. Essa fase não dura muito. Ianelli queria seguir seu próprio caminho. Com cavalete saía para pintar a campo. Casarios das ruas de São Paulo, lugares que nem existem mais como a Antiga Cervejaria Brahma estão nesse bloco. É na década de 50 que o artista integra o Grupo Guanabara, juntamente com Fukushima, Manabu Mabe e Tanaka, entre outros.Vê-se que a tinta vai ficando mais escassa ao longo do tempo, as camadas de tinta cada vez mais suaves. Há uma série de retratos, depois, juntam-se as marinhas, os bambuzais, as telas que representam mastros dos veleiros. "Muitos ele fazia no ateliê, de imaginação", conta Katia. Mas vários outros nasceram em viagens pela Represa de Guarapiranga, por Santos, onde Ianelli ficava nas vilas de pescadores, ou Itanhaém, onde ele ia com Mário Zanini. Por fim, a exposição termina com um conjunto de naturezas-mortas. É uma época de transição para a abstração, toma conta delas a total geometrização, "o sentido da esquematização, da síntese", como escreveu o crítico Paulo Mendes de Almeida.Arcangelo Ianelli - Museu de Arte Brasileira da Faap. Rua Alagoas, 903, Pacaembu, 3662-7198. Das 10 às 21 horas (última entrada às 20 horas); sábados, domingos e feriados, das 13 às 18 horas (última entrada às 17 horas). Grátis. Até 19/9. Abertura hoje, às 20 horas, para convidados

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.