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Mostra revela inéditos de Roberto Bolaño

Escritor chileno é tema de exposição em Buenos Aires, na qual é possível ver de perto manuscritos de suas obras

EFE, O Estado de S.Paulo

23 de dezembro de 2013 | 02h06

Materiais inéditos e imagens referentes a algumas das principais obras do escritor chileno Roberto Bolaño foram reunidas em uma mostra no Centro Cultural Recoleta, em Buenos Aires. Segundo Juan Insua, curador da exposição, o objetivo é divulgar a obra de um autor "que deveria ser lido por qualquer escritor de língua espanhola".

A mostra é intitulada Arquivo Bolaño: 1977-2003 e tem como foco principal a etapa em que o escritor viveu na Espanha, país onde escreveu boa parte de sua obra. Foi em Barcelona, aliás, que a exposição pode ser vista pela primeira vez, em meados deste ano - e, depois da Argentina, ela deve seguir para cidades como Nova York e Madri.

Para Insua, que é chefe de projetos do Centro de Cultura Contemporânea de Barcelona, Bolaño foi "um grande poeta tragado pelo narrador", que soube alternar "a explicação da vida que estava dentro de seu coração com a narração de histórias". "Muitas de suas páginas - penso em livros como Amuleto ou 2666 - só poderiam ter sido escritas por verdadeiros poetas. Bolaño é um dos grandes autores da nova literatura mundial. Sua obra estabelece uma ponte entre o século 20 e o século 21. Jovens escritores de língua espanhola que um dia precisaram ler Julio Cortázar, Gabriel García Márquez ou Jorge Luis Borges hoje precisam incluir Bolaño na lista de referências."

A exposição reúne 14.374 páginas com centenas de poemas, 27 contos e quatro romances inéditos deixados pelo escritor em seu arquivo pessoal, cedidos por seus herdeiros. A maior parte do material refere-se ao período vivido em Barcelona, durante o qual Bolaño escreveu dez livros, dos quais apenas dois foram publicados - um deles após a sua morte.

Segundo o crítico literário Maximiliano Romas, "Bolaño guardava tudo o que escrevia e mantinha um arquivo de sua obra de maneira tão minuciosa que beirava a patologia".

Além das obras não concluídas, a mostra oferece também manuscritos das suas principais publicações, como 2666, Entre Parênteses e O Terceiro Reich, entre outras.

A exposição, porém, não se limita a originais e conta ainda com máquinas de escrever, cadernos e blocos de notas. Neles, é possível comparar as diferentes versões de seus textos e saber, por exemplo, como indica Romas, que, no final da vida do escritor, os textos passavam por poucas revisões e correções. Instalações em vídeo oferecem imagens de Bolaño e dos locais em que viveu e frequentou, como a rua Tallers e o bar Parisienne, em Barcelona. Um conjunto de animações também dá vida a algumas cenas de suas obras e uma cronologia dá ao visitante a medida do modo como a sua carreira se desenvolveu, estabelecendo paralelos entre sua biografia, acontecimentos internacionais e os temas que mais o interessavam. A exposição fica aberta até o dia 16 de fevereiro. / EFE

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