Mostra reúne retratos de pequenos aristocratas

A mostra Retratos de Crianças dos Séculos 16 a 19, que será exibida a partir desta terça-feira no Museu de Arte Brasileira da Faap (MAB-Faap) é a prova de que o tão discutido estresse infantil não nasceu com a invenção das escolinhas de natação e inglês. Vinda da Fundación Yannik y Ben Jakober, da Ilha de Maiorca, na Espanha, a coleção de 40 telas mostra pequenos de 4, 7 ou 10 anos posando para retratistas, para provar sua importância no mundo. Também amanhã, os colecionadores Yannick e Ben Jakober, da fundação, darão uma aula magna no local.São principalmente bebês e crianças na primeira infância mas também adolescentes na fase de "estabelecer alianças políticas", que, a partir do século 16, deixam de ser pintados com corpos de adulto, mas continuam exageradamente ornamentados como qualquer integrante maduro da nobreza européia do período. "Do final do século 16 em diante, as grandes famílias da Europa começaram a ter o costume de retratar suas crianças, freqüentemente com seus nomes, títulos e idade registrados no painel ou na tela atrás dele", escreve o curador Michael Peppiatt, no catálogo da exposição. "Mesmo segurando um animal ou um brinquedo, e com as suas características incompletas, as crianças representadas aqui foram imortalizadas em vista da posição social em que nasceram e o papel governante que assumiram posteriormente."A grande importância da coleção é histórica. Se hoje os pais ainda encomendam books a fotógrafos que retratam crianças como modelos profissionais, naquele tempo eles o faziam como cartas de apresentação à famílias dos pretendentes. Assim, sendo um sinônimo de status obrigatório, os retratos de criança feitos entre aqueles séculos permitiram que posteriormente fosse possível fechar algumas árvores genealógicas, como a dos Médicis, dos Sforzas e dos Gonzagas.A história de Luís XIII, por exemplo, foi ilustrada na infância por um pintor flamengo do círculo de Franz Pourbus. Apoiado por informações de um diário deixado por Jean Héroard, companheiro dos primeiros anos do futuro rei, o quadro mostra como o jovem era tratado da mesma forma que demais aristocratas do período. Luís XIII apanhava quando não comia e gostava de brincadeiras de canto e de dança. Já aos 17 meses.Ornamentos - Mas todo enternecimento que uma imagem de criança pode causar é, nesse caso, uma mistura de pena e aflição. Ou, como define o curador no texto, "Quanto mais bonita se tornava, mais a criança era enfeitada com arminho e seda brocada, correntes douradas, insígnias, amuletos e jóias pesadas, tornando-a mais infeliz e despojada , por tantos ornamentos, de qualquer espontaneidade infantil."Retratos de Crianças dos Séculos 16 a 19 - De segunda a sexta, das 10 às 21 horas; sábados, domingos e feriados, das 13 às 18 horas. Museu de Arte Brasileira - FAAP. Rua Alagoas, 903, tel. 3662-1662/ r.: 1123. Até 5/12. Abertura às 20 horas para convidados.

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