Mostra reúne relíquias da cartografia

Mais de 200 mapas dos séculos 15 ao 19, incluindo os primeiros esboços cartográficos do Brasil e objetos de navegação estão expostos em São Paulo. Entre os mapas exibidos está um dos primeiros do Brasil, feito em 1557, pelo italiano Giovanni Batista, em que os índios, os colonizadores europeus e a flora e fauna brasileira estão em destaque, enquanto os aspectos geográficos ficam em segundo plano.Batizada como O Tesouro dos Mapas - A Cartografia na Formação do Brasil, a exposição assinala a abertura do Instituto Cultural Banco Santos. Os mapas originais, desenhados entre os séculos XV e XIX, fazem parte de uma coleção de cerca de três mil peças, entre objetos de arte e documentos históricos reunidos pelo presidente do Banco Santos, Edemar Cid Ferreira ao longo de 15 anos. A exposição apresenta ainda objetos naúticos como bússolas, astrolábios, globos terrestres e maquetes de navios dos séculos 18 e 19, fabricados em Portugal e na Espanha."O objetivo da exposição é fazer com que os visitantes conheçam os passos mais importantes da cartografia desde os seus primórdios até aos primeiros desenhos do Brasil e suas regiões", diz o curador Paulo Miceli. "Queremos mostrar como o território brasileiro tem sido desenhado desde os primeiros anos do século 16", acrescentou o professor de História Moderna da Universidade Estadual de Campinas.Surpreendentemente, a exposição não apresenta nenhum mapa português, embora, segundo o curador, a influência ibérica e, principalmente a portuguesa, tenha sido a base da cartografia européia. "Como a cartografia portuguesa do período compreendido pela mostra é manuscrita, seus exemplares são muito raros e estão expostos em grandes acervos públicos, como museus de Lisboa, Paris, Londres e outros países, e dificilmente vão a leilão, já que são verdadeiros patrimônios nacionais e não se encontram em coleções particulares", explica o curador.Paulo Miceli admitiu, no entanto, que uma análise do acervo exposto apresenta "os vestígios da cartografia portuguesa em mapas venezianos, franceses e, principalmente, holandeses".A mostra, que ocupa uma área de 1.500 metros quadrados, traz expressões diversas de uma linguagem cartográfica que deu origem às mais modernas técnicas atuais de se fazer mapas. O mapa mais antigo da exposição data de 1493, foi desenhado pelo cartógrafo Hartman Schedel, e apresenta Jerusalém no centro do velho mundo.A exposição inclui ainda exemplares de grande valor histórico, como as cartas-portulanos, fabricadas sobre pergaminho animal e utilizadas a partir do século 18 por navegadores dos mares Mediterrâneo e Negro. Três das cinco cartas-postulanos da coleção saíram das oficinas da família Oliva, uma das mais importantes representantes da cartografia de Palma de Maiorca responsável pelos principais mapas produzidos no mediterrâneo ocidental durante mais de um século.O Tesouro dos Mapas apresenta um módulo denominado A Última Terra, com desenhos do Brasil do século 16 ao 19. "Algumas regiões brasileiras - especialmente o Nordeste, a Amazônia e o Sul - ocupam lugar especial na produção cartográfica sobre o Brasil", afirma o curador Paulo Miceli. "Essas imagens, na maioria das vezes, insistem na exuberância e no exotismo nacional, incluindo os habitantes (...) por isso, cenas como canibalismo e outros rituais indígenas são comuns nas representações cartográficas nos primeiros anos de colonização do Brasil", finaliza.

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