Evelson de Freitas/Agência Estado
Evelson de Freitas/Agência Estado

Mostra reúne obras e 193 fotografias de Rodin no Masp

Exposição abre na quarta-feira para o público; de tão frágeis, imagens repousarão por 20 anos após exibição

Camila Molina, de O Estado de S. Paulo,

26 de outubro de 2009 | 09h37

A peça em bronze As Três Sombras (1902-1904), de Auguste Rodin (1840-1917), pesa 1,3 tonelada e pela primeira vez saiu dos jardins do museu que leva o nome do escultor, em Paris, para abrir a exposição que abre na terça-feira, 27, para convidados e na quarta-feira, 28, para o público no Museu de Arte de São Paulo (Masp). Apesar de monumental, trazê-la para o Brasil não é a única raridade que cerca a mostra "Rodin: Do Ateliê ao Museu - Fotografias e Esculturas", já que outras 193 imagens raras do artista foram selecionadas para a exposição, apresentada anteriormente na Casa Fiat de Cultura, em Belo Horizonte (MG).  

 

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As 193 imagens selecionadas para a exposição, realizadas entre 1880 e 1910 e pertencentes ao gigantesco acervo do artista (com mais de sete mil fotos), são tão frágeis que depois da mostra no Masp regressarão direto para a reserva técnica do Musée Rodin para ficarem "em repouso" por mais de 20 anos, como assegura a curadora Hélène Pinet.

"É um conjunto precioso, que foi mostrado pela primeira vez em Paris, entre 2007 e 2008, e depois veio para essas duas etapas no Brasil", diz Hélène, que integra a equipe de curadoria do Museu Rodin há 33 anos. Na França, a mostra reunia apenas as fotografias, mas para contextualizar as peças - e aprimorar a exposição para o público brasileiro -, foi agregada seleção de esculturas de Rodin que dialogam com as imagens. Mas o mote principal mesmo da mostra, com caráter inédito, é apresentar a entrada de fotógrafos - conhecidos e anônimos -, ou melhor, da fotografia, no cotidiano de criação do escultor e na maneira como exibia suas obras (em 1896, ele expôs pela primeira vez, em Genebra, suas esculturas ao lado de imagens).

O primeiro segmento, O Ateliê, identifica a entrada, a partir de 1880, de fotógrafos no ambiente de criação do escultor, principalmente, pelo interesse do artista de ter consigo material para divulgação de suas obras. Seguindo o percurso, na segunda sala da mostra já se vê uma mudança na relação entre a fotografia e o processo de Rodin. Estão os trabalhos de Eugène Druet, contratado quando jovem pelo escultor, e de Jacques-Ernest Bulloz, que conheceu o artista em 1903. Por meio de depoimentos e de críticas escritas na época, sabe-se que Druet foi o fotógrafo preferido de Rodin - e foi ele quem várias vezes declarou que o escultor tinha o hábito de "dirigir" seu trabalho fotográfico.

As experimentações no campo da fotografia vão ganhando cada vez mais destaque, principalmente, com os trabalhos de criadores do movimento pictorialista do início do século 20. Rodin abriu as portas de seu ateliê e de sua casa para os jovens ingleses "amadores" Stephen Haweis e Henry Coles criarem obras únicas, muitas delas, feitas em espaços exteriores como jardins. Mas o grande destaque da exposição fica no final, na sala dedicada às fotos de Edward Steichen. O fotógrafo realizou uma série que já entrou para a história da fotografia, a de 1908 em que retrata a penúltima versão do Balzac de Rodin (a peça está na mostra) em lugar externo, usando a luz da noite.

Rodin: Do Ateliê ao Museu. Masp. Av. Paulista, 1.578. Tel. (011) 3251- 5644. 11h/ 18h (5.ª até 20h). R$ 15 (3.ª grátis). Até 13/12. Abertura na terça, 27, às 19 horas, para convidados, e na quarta-feira, 28, para o público.

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