Chema Moya/EFE
Chema Moya/EFE

Mostra reúne obras do pintor Rafael pertencentes ao Prado e ao Louvre

Público pode contemplar produção do artista nos anos em que se tornou o mais influente

O Estado de S.Paulo

11 de junho de 2012 | 03h08

MADRI - Os museus do Prado e do Louvre são as instituições que possuem mais obras referentes aos últimos anos do pintor Rafael (Raffaello Sanzio, 1483-1520). Por conta disso, a união de ambos acervos para organizar a exposição O Último Rafael resulta em um fato único.

Composta por pinturas que raramente deixam suas casas, a mostra recém-inaugurada no Museu do Prado, em Madri, forma um conjunto "perturbador", no entender do diretor do Prado, que permite contemplar a produção de Rafael e de sua oficina nos anos em que se converteu no pintor mais influente da arte ocidental.

Coorganizada com o Museu do Louvre, para onde viajará em outubro, a mostra reúne 74 obras, das quais a maioria nunca havia sido exposta na Espanha. Os pesquisadores Paul Joannides e Tom Henry prepararam um percurso cronológico por atividade do mestre, desde o início do pontificado de Leão X (1513) até a morte do artista em 1520 e de seus principais discípulos, Giulio Romano e Gianfrancesco Penni, até o final de 1524. Isso a transforma na primeira grande exposição monográfica que combina pinturas e desenhos centrando-se nos sete últimos anos de sua curta existência, período de sua carreira em que alcançou maior impacto na arte europeia.

O Museu do Prado "é a casa de muitos artistas e também do gênio de Rafael, que conquistou uma das posições mais altas da arte ocidental de todos os tempos", observou Miguel Zugaza, diretor do Prado. "Sem o seu exemplo, não compreenderíamos a evolução da idade moderna como a conhecemos", continuou ele, para quem esta exposição culmina com um dos projetos de pesquisa, restauração e exposição "mais complexo dos últimos anos".

Miguel Falomir, coordenador científico da mostra, acredita que as últimas pinturas de Rafael não foram bem compreendidas por apresentarem problemas de cronologia, por conta de sua diversidade confusa e pelo fato de Rafael não trabalhar sozinho.

Para lançar luz sobre estas questões "e repensar a forma como lidamos com o seu trabalho nos últimos anos", contribui a união entre Louvre e Prado, "que juntos formam o maior corpus de trabalho de Rafael", comenta Falumir, para quem a exposição é "um evento sem precedentes uma vez que nenhum dos museus havia emprestado essas obras".

Arquiteto, pintor, designer, Rafael chegou a ter em sua oficina mais de cinquenta assistentes especializados em diferentes áreas. A mostra permite definir melhor os limites entre as obras de Rafael e aquelas realizadas com a participação de seus principais assessores, Romano (1499- 1546) e Penni (1496-1528). O primeiro deles aparece em Autorretrato com Giulio Romano, pintura do acervo do Louvre, na qual, segundo Henry, "parece que Rafael está simbolicamente passando a batuta a seu assistente". Ao lado do retrato de seu amigo Baldassare Castiglione (1519), é possível apreciar a exposição de A Pérola. Nesta pintura, Rafael mostra um extraordinário nível de inteligência artística e inventiva.

"Ele quebrou a composição ao fazer que o olhar do menino Jesus se eleve em direção à luz que ilumina a cabeça da Virgem e à espada de São João, promovendo um eco que volta para a paisagem", disse Joannides. O quadro Santa Cecília, que nunca havia sido emprestado pela Galeria Nacional de Bolonha, dá início à exposição, cuja excursão termina no quarto 49, que aborda o processo criativo da Transfiguração, a última obra-prima do grande Raphael, mostrada em cópia feita por Romano e Penni. /EFE

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