Mostra reúne duas estrelas da arte barroca

Se o Aleijadinho é o superastro do barroco brasileiro, levando multidões às mostras que exibem suas peças, Mestre Piranga é apenas um coadjuvante pouco conhecido. Para diminuir a distância colocada pela fama entre os dois, e que a qualidade das respectivas obras não avaliza, é oportuna a exposição Aleijadinho e Mestre Piranga: Processo de Atribuição e História da Arte - Imagens da Coleção Renato Whitaker, na Pinacoteca do Estado, que abre amanhã para o público e vai até 19 de janeiro.São 56 obras, 46 de Antonio Francisco Lisboa, o Aleijadinho, e 10 do escultor mineiro Mestre Piranga. Pela primeira vez as peças dos dois artistas são mostradas lado a lado, revelando que se trata de uma produção igualmente expressiva.Elas são todas do acervo do empresário paulista Renato Whitaker, o maior colecionador privado de peças de Aleijadinho no Brasil - que as guarda numa igreja barroca que comprou em demolição e reconstruiu numa fazenda no interior de São Paulo - e quando expostas há pouco no Museu de Belas Artes de Buenos Aires, foram seguradas em US$ 20 milhões.O curador da mostra é Dailton Sala, que aposta no ineditismo de algumas atrações. Por exemplo: é a primeira vez que é exposta em São Paulo uma imagem rara atribuída ao Aleijadinho, a de Santa Teresa de Ávila. A peça tem 82 centímetros de altura e apresenta a maioria dos sinais que certificam sua autoria: o V desenhado pela convergência de sobrancelhas e olhos, o nariz aquilino, os olhos "achinesados", os sapatos trocados, as unhas bem aparadas das mãos, o desenho do manto e o encaracolado dos cabelos, entre outras.Há cerca de 200 peças catalogadas como sendo de autoria de Aleijadinho - depois de terem passado pela análise de diversos especialistas - e inúmeras outras que são ainda objeto de exame. A incompletude da catalogação da obra do escultor abre espaço para recorrentes polêmicas envolvendo seu nome. Não raro peças apresentadas como sendo dele são alvo de críticas de pesquisadores.Mestre Piranga, pouco conhecido, é ainda mais misterioso. As obras da exposição da Pinacoteca formam o segundo maior lote dele jamais reunido no Brasil. Piranga viveu no século 18, em Minas Gerais, na região próxima a Ouro Preto. Sabe-se apenas que trabalhava usando o mesmo sistema do Aleijadinho, com um ateliê e aprendizes. Ele foi chamado de Piranga por causa da sua base de operações, que era a pequena cidade de Piranga, a 180 km de Belo Horizonte. Supõe-se que ele teria muitos contatos com outros artistas da época como o Aleijadinho e o pintor Mestre Athayde."A idéia é exatamente chamar a atenção sobre um artista bom e desconhecido", diz o colecionador Whitaker, que já trocou uma obra do Aleijadinho por duas de Mestre Piranga. A fama deste está aumentando e suas obras ganham as melhores coleções do gênero. E, por causa disso, os preços delas chegam hoje a cifras que vão dos US$ 30 mil a US$ 100 mil.Claro que não há nenhuma facilmente à venda. Para se ter uma idéia do sucesso de Mestre Piranga, em 2000 algumas obras dele foram expostas no Petit Palais e no museu Guggenheim de Nova York, há alguns meses. Nada mau para um coadjuvante.Aleijadinho e Mestre Piranga: Processo de Atribuição e História da Arte ? Imagens da Coleção Renato Whitaker. Pinacoteca do Estado (Pça. da Luz, 2 Tel. 229-9844). De terça a domingo, das 10 às 18h.

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