Acervo Instituto Moreira Salles
Acervo Instituto Moreira Salles

Mostra reúne desenhos de Charles Landseer sobre Brasil

Artista inglês registrou paisagens brasileiras quando veio em missão diplomática ao País no século 19

AE, Agência Estado

10 de maio de 2011 | 10h31

O artista inglês Charles Landseer (1799-1879) era bem jovem e "inexperiente", como diz o historiador Leslie Bethell, quando veio ao Brasil no século 19 em missão diplomática britânica chefiada por Charles Stuart. "Mas era muito bem formado e por isso fez muitos desenhos e aquarelas em poucos meses", continua Bethell, que assina a curadoria de mostra com 121 obras de Landseer realizadas entre 1825 e 1826 durante a experiência do artista viajante - mas a missão de Stuart, que partiu de Portugal, estava, na verdade, mais centrada em estreitar relações britânicas com o Brasil, reconhecendo a independência do país, em 1822.

Nunca deixando de acompanhar Stuart onde quer que fosse, Landseer criou um conjunto expressivo de obras sobre o Brasil, retratando paisagens, pessoas e a flora de lugares diversos, como o Rio, Pernambuco, Bahia, Espírito Santo, Santa Catarina e São Paulo. Mas a mostra que o Instituto Moreira Salles (IMS) inaugura hoje em sua sede no bairro de Higienópolis, em São Paulo, perpassa a missão de Stuart como um todo, dedicando também uma sala às obras que Landseer criou a partir da escala em Portugal, com trabalhos sobre Lisboa e arredores. Mais ainda, a mostra inclui trabalhos criados em passagem por Açores, já na volta para a Europa. Assim, "Charles Landseer: Desenhos e Aquarelas de Portugal e do Brasil - 1825-1826" é exposição abrangente. Com curadoria de Bethell, ela já foi exibida um pouco maior no espaço do IMS no Rio e é acompanhada de um alentado catálogo organizado pelo historiador.

Foi o pai de Charles Landseer, o conhecido gravador John Landseer, que incentivou o filho a participar da missão diplomática com o intuito de que o artista produzisse um repertório de desenhos e aquarelas que depois pudessem ser alimento para a criação de quadros a óleo na Inglaterra. Mas, como conta Leslie Bethell, pouco depois da viagem, Stuart confiscou para si as obras produzidas por Landseer durante a missão - e há até a reprodução de carta furiosa de John Landseer sobre o fato. "Pesquisei muito em Londres e vi que Charles Landseer fez e mostrou apenas cinco óleos na Inglaterra", conta o curador. Dois desses quadros estão na mostra, um realizado a partir de retrato de um tropeiro paulista e outro com paisagem e figuras do Rio. Os desenhos que o inspiraram estão ao lado das pinturas.

O curioso é que o acervo das obras que Charles Landseer produziu na missão - quase 300 no total - se preservou intacto durante todos os anos: depois de ter saído das mãos da família Stuart, passou, desde a década de 1920, por coleções de duas famílias brasileiras até ser adquirido pelo Instituto Moreira Salles.

Em sua pesquisa, Bethell decodificou, por meio de relatórios da Marinha britânica, todo o itinerário da viagem - e é também interessante saber que Landseer ficou apenas poucos meses em cada localidade, tendo que se valer de agilidade para produzir. A mostra começa com os retratos dos tripulantes do navio HMS Wellesley e depois, a cada sala, apresenta conjuntos de desenhos e aquarelas produzidos em cada local. A maior série é sobre o Rio de Janeiro, onde o artista ficou cerca de quatro meses e produziu, aproximadamente, 100 obras. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Charles Landseer - IMS (Rua Piauí, 844). Tel. (011) 3825-2560. 13 h/19 h (sáb. e dom., 13 h/ 18 h; fecha 2ª). Grátis. Até 10/7. Abertura hoje, 19h30, para convidados.

Tudo o que sabemos sobre:
exposiçãoCharles Landseer

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.